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Radiação de Fukushima pode matar até 1,3 mil pessoas

Radiação de Fukushima pode matar até 1,3 mil pessoas

 

Con­tra­ri­ando ava­li­a­ções de que o aci­dente nu­clear de Fu­kushima não afe­taria a saúde da po­pu­lação local, pes­qui­sa­dores da Uni­ver­si­dade de Stan­ford con­cluíram que entre 24 e 2,5 mil pes­soas pro­va­vel­mente de­sen­vol­verão câncer pelo con­tato com o ma­te­rial ra­di­o­a­tivo va­zado no de­sastre. Além disso, entre 15 e 1,3 mil pes­soas devem morrer pre­ma­tu­ra­mente em de­cor­rência da do­ença. 

A grande mai­oria dos casos fi­cará con­cen­trada no Japão, com poucas ocor­rên­cias pre­vistas no res­tante da Ásia e na Amé­rica do Norte. Para John Ten Hoeve, pes­qui­sador do De­par­ta­mento de En­ge­nharia Civil e Am­bi­ental de Stan­ford, o nú­mero de casos no resto do mundo é re­la­ti­va­mente baixo e a es­ti­ma­tiva serve apenas para 'ad­mi­nis­trar o medo em ou­tros países de que o de­sastre possa ter tido um al­cance mun­dial'.

O aci­dente foi pre­ci­pi­tado por um ter­re­moto de mag­ni­tude 8,9 na es­cala Ri­chter que atingiu o Japão no dia 11 de março de 2011. O tremor levou à for­mação de um tsu­nami que inundou quatro dos cinco re­a­tores na usina de Fu­kushima Dai­chii.

Este é o pri­meiro es­tudo sobre o de­sastre a usar um mo­delo at­mos­fé­rico global em ter­ceira di­mensão para prever a ma­neira como o ma­te­rial ra­di­o­a­tivo foi trans­por­tado. Di­fe­ren­te­mente de ava­li­a­ções an­te­ri­ores, essa pes­quisa levou em conta o trans­porte das par­tí­culas ra­di­o­a­tivas pelo ar, pela água e pela chuva, além da de­po­sição em solo.

O fato de que 80% do ma­te­rial ra­di­o­a­tivo vazou no Oceano Pa­cí­fico, e não no solo, como ocorreu no aci­dente de Cher­nobyl, levou a aná­lises oti­mistas quanto aos efeitos da ra­di­ação. 'Há grupos de pes­soas que dis­seram que não ha­veria efeitos', disse o en­ge­nheiro Mark Ja­cobson, pro­fessor de Stan­ford e autor do es­tudo.

Riscos

Em maio, o Co­mitê Ci­en­tí­fico da ONU para os Efeitos da Ra­di­ação Atô­mica (Uns­cear), que avalia os danos de Fu­kushima, di­vulgou que 167 tra­ba­lha­dores, de um total de 20.115 fun­ci­o­ná­rios li­gados à Tepco, ope­ra­dora da usina nu­clear de Fu­kushima, re­ce­beram doses de ra­di­ação que podem ter au­men­tado dis­cre­ta­mente o risco do de­sen­vol­vi­mento do câncer. Já o pú­blico em geral, de acordo com o co­mitê, foi am­pla­mente pro­te­gido pela rá­pida eva­cu­ação pro­mo­vida pelo go­verno.

Para cal­cular os pre­juízos da ex­po­sição à ra­di­ação para a saúde, o es­tudo de Stan­ford, que foi pu­bli­cado na re­vista ci­en­tí­fica Energy & En­vi­ron­mental Sci­ence, usou um se­gundo mo­delo ci­en­tí­fico, si­milar ao uti­li­zado para cal­cular os efeitos de ou­tros aci­dentes nu­cle­ares.

Se­gundo Ja­cobson, será muito di­fícil cons­tatar, fora do Japão, a pre­sença de casos de câncer re­la­ci­o­nados ao aci­dente de Fu­kushima, por causa da pul­ve­ri­zação das ocor­rên­cias. 'Mas, no Japão, eu es­ti­maria que ten­dên­cias de au­mento do câncer po­derão ser de­tec­tá­veis em um prazo de cinco a dez anos', diz o en­ge­nheiro.

De acordo com a fí­sica Kellen Adriana Curci Daros, da Co­missão de Pro­teção Ra­di­o­ló­gica do Co­légio Bra­si­leiro de Ra­di­o­logia (CBR), os tipos mais co­muns de câncer pro­vo­cados em longo prazo pela ex­po­sição a altas doses de ra­di­ação atingem a ti­re­oide e o sangue.

A es­pe­ci­a­lista ob­serva que, no caso de Fu­kushima, os pre­juízos foram mi­ni­mi­zados pela ação rá­pida do go­verno local. 'O Japão, como teve a ex­pe­ri­ência de Hi­roshima, já tinha es­tudos re­la­tivos a esse tipo de efeito. A in­ter­venção foi muito mais rá­pida que em Cher­nobyl e, em pouco tempo, as áreas foram iso­ladas e co­me­çaram a ser mo­ni­to­radas.'

fonte: O Es­tado de S.​Paulo.





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