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140 anos da Lei do Ventre Livre

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140 anos da Lei do Ventre Livre

A Lei do Ventre Livre (1871) comemora 140 anos, entretanto, até os dias de hoje o negro ainda sofre perseguição, segregação social e o estigma de estar nos últimos lugares no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Sobre este assunto, o professor de Sociologia no curso de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Codó, Ancieto Cantanhede, afirma que a resistência e luta persiste sem data para chegar ao fim.

Do ponto de vista das elites dominadas pela etnia branca, os negros ainda resistem ao processo escravista em pleno século vinte e um, assim como os índios ciganos e pobres que sofrem com a marginalização e péssimos IDH’s, observa Ancieto. No Maranhão o professor dá como exemplo a Balaiada (1838-41), liderada por Cosme Bento das Chagas (1800) depois que seu antecessor, Raimundo Gomes, ter conquistado várias derrotas contra a elite opositora da época.

“Fazendo um nexo com os dias atuais, o negro está em um constante processo de luta. E ao que parece, isso não teve fim somente com a Lei de 1871, irá se estender enquanto houver discriminação contra a pessoa negra”, assegura o professor de Ciências Humanas. Ele completa dizendo que a perspectiva de construir uma democracia, com um país livre, também já estava presente na pessoa de Zumbi dos Palmares, figura esta que dera sua vida por um ideal.

De acordo com os historiadores modernos, somente 5% era escrava no ano de 1888, o que encobriria muitos atos de atrocidade para com grupos étnicos e raciais. “O negro nasceu livre e neste país ele esteve sob este jugo durante 300 anos, e até hoje se luta para mudar um contexto de segregação social e racial ainda existente”, finaliza Cantanhede.

 

Reportagem: João Carvalho Jr.
Imagens: Paulo Henrique
Adaptação: Marcos Atahualpa Cartágenes

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