Alzheimer: alguns avanços e muitos mistérios

Mais de 100 anos depois de a decadência do cérebro de um paciente ter sido identificada pela primeira vez, o mal de Alzheimer permanece como um dos grandes desafios da medicina, avaliam especialistas na véspera do dia mundial dedicado à doença. A ciência tem feito progressos intermitentes, reportando pequenos avanços e recuos frustrantes.
Embora os cuidados com as pessoas acometidas pela doença tenham melhorado desde que o ex-presidente americano Ronald Reagan e o escritor britânico Terry Pratchett ajudaram a eliminar o estigma, os principais processos da doença permanecem um enigma.
O mal de Alzheimer é responsável por dois terços dos casos de demência e acomete uma a cada 200 pessoas. Pouco trabalho subsequente foi feito até os anos 1960, parcialmente porque poucas pessoas viviam na época até uma idade em que a doença se manifestasse.
Custos e complexidade
A Associação Internacional do Alzheimer (ADI, federação mundial de associações dedicadas à doença) calcula que o número de pessoas com demência crescerá de 35,6 milhões em 2010 para 65,7 milhões em 2030 e 115,4 milhões em 2050.
Os custos, incluindo gastos hospitalares e cuidados domésticos, medicamentos e visitas clínicas, devem subir cerca de 85% até 2030 a partir dos US$ 600 bilhões gastos em 2010, aproximadamente o PIB da Suíça.
Mas o dinheiro não é o único problema. A doença é particularmente difícil de decifrar não só porque seu efeito em humanos é quase impossível de replicar em animais de laboratório. Sua lenta progressão é um obstáculo a mais.
Segundo pesquisadores a doença parece estar presente no cérebro das pessoas talvez 15 anos antes de manifestar sintomas. O mal de Alzheimer costuma se tornar aparente por volta dos 70 anos, quando os membros da família começam a perceber que seu ente querido vai se tornando esquecido e confuso.
Os cientistas buscam um tratamento que detenha a doença em seu estágio inicial, mesmo antes do aparecimento dos sintomas. Embora não tenham obtido sucesso, seus trabalhos lançam algumas pistas valiosas pelo caminho.
Já se sabe que um pequeno percentual de pessoas, com mais frequência mulheres do que homens, é geneticamente predisposto a desenvolver o mal de Alzheimer. Portanto, possuir um histórico familiar da doença aumenta os riscos.
Alguns estudos sugerem que ter um estilo de vida saudável reduz os riscos para as pessoas que não possuem genes relacionados com o desenvolvimento do Alzheimer.
Os diagnósticos também são proveitosos: novas pesquisas demonstram que um simples teste conhecido como eye-tracking (técnica que permite, examinando o movimento ocular, verificar para onde o indivíduo está olhando) e a interrupção do sono podem ser indícios precoces, e ajudariam os afetados a fazer escolhas de estilo de vida antes que a doença avance.
Os especialistas acreditam que encontrar um remédio para uma doença crônica é muito mais complicado do que colocar o homem na Lua. Se governos, pesquisadores e empresas farmacêuticas trabalharem juntos de forma eficiente, um tratamento poderia estar disponível dentro de 20 anos. Mas também alertaram para o risco de dar falsas esperanças a pessoas desesperadas.

Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
Colabore com a redação