Após 41 anos, Botafogo e Fluminense decidem estadual; Santos é o favorito na disputa pelo Tri contra o Guarani

Depois de 41 anos, Botafogo e Fluminense voltam a se enfrentar numa decisão de Campeonato Carioca. O primeiro dos dois jogos da final será disputado neste domingo, às 16 horas, no Engenhão. O outro, no próximo fim de semana. E, dessa vez, o tradicional clássico opõe dois estilos.
O Botafogo, ainda invicto na temporada, apresenta mais vigor físico e se destaca pela coletividade, embora tenha sido dependente nas últimas partidas dos gols do atacante uruguaio Loco Abreu. Já o Fluminense se credencia ao título por ter um time mais técnico e muito badalado - as referências são os astros Fred e Deco.
Em 1971, o Fluminense levou a melhor na última decisão entre eles e venceu por 1 a 0, com gol de Lula aos 43 minutos do segundo tempo. Adolescente na época, o atual técnico do Botafogo, Oswaldo de Oliveira, lembra de detalhes daquela decisão e garante que o lance determinante do título foi, no mínimo, polêmico. "Agora, muita água já rolou desde então. Botafogo e Fluminense têm hoje equipes fortes e o equilíbrio deve marcar essas duas partidas", disse o treinador.
Os últimos confrontos entre os rivais confirmam a previsão do técnico botafoguense. Na semifinal da Taça Guanabara, houve empate por 1 a 1 - com vitória do Fluminense nos pênaltis -, mesmo placar do jogo válido pela sexta rodada da Taça Rio.
"Os jogos entre Flu e Bota são sempre muito disputados. Esse não vai ser diferente", comentou o goleiro Diego Cavalieri, que nega com convicção um eventual favoritismo de seu time, mesmo contando com astros como Deco, Thiago Neves, Rafael Sóbis e Fred para formar o quarteto ofensivo do Fluminense.
Outra preocupação da equipe dirigida pelo técnico Abel Braga é quanto à reposição de bola em jogo. Todos prometem atenção para que lances como os da final da Taça Rio, entre Botafogo e Vasco, não se repitam. Naquela partida, na semana passada, uma gandula contribuiu decisivamente para um gol botafoguense, ao "participar" de um contra-ataque do time.
Já no lado do Santos...
O Santos dá neste domingo o penúltimo passo rumo à conquista do terceiro tricampeonato paulista de sua história - o primeiro sem a presença de Pelé -, contra o Guarani, a partir das 16 horas, no Morumbi. Com Neymar em campo, não será surpresa se a decisão se resumir ao primeiro jogo do confronto e, se a segunda final, no próximo domingo, também no Morumbi, se transformar em festa de encerramento do Paulistão esvaziado com a ausência de um dos integrantes do chamado Trio de Ferro (Corinthians, São Paulo e Palmeiras) na briga pelo título.
O Guarani, intruso na festa, garante que não será apenas coadjuvante. Depois de empatar com o Corinthians e São Paulo fora de casa na primeira fase, vencer dois duelos contra o Palmeiras em Campinas e ainda passar com sobras sobre a Ponte Preta no dérbi da semifinal, o time acredita que pode devolver a única derrota que teve contra um grande neste Paulistão, justamente o Santos, no Estádio Brinco de Ouro.
De qualquer forma, o troféu de campeão só não vai para o Memorial das Conquistas da Vila Belmiro se ocorrer dois enormes desastres do futebol com o mesmo time em apenas uma semana. Com todo o favoritismo, o técnico Muricy Ramalho vai comandar o Santos no estádio em que fez história com a conquista de três títulos brasileiros em sequência (2006, 2007 e 2008), pelo São Paulo, e onde também brilhou como jogador nos anos 70.
Apesar do desequilíbrio de forças na final, o treinador santista, sempre cauteloso, poderá repetir a estratégia de domingo passado, com uma postura mais defensiva para tentar o gol em contra-ataque ou em cima de falhas do adversário, sem expor a fragilidade de sua defesa, especialmente pelo lado direito. Como a força do Guarani é a velocidade do seu ataque, principalmente com Fabinho pelo esquerda, Muricy poderá optar pela formação com três zagueiros - Bruno Rodrigo pela direita, Edu Dracena pelo meio, na sobra, e Durval na esquerda. Ou então escalar Anderson Carvalho como primeiro volante e improvisar o volante Adriano na lateral direita.
Com informações da Agência Estado Agência Futebol Interior
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