Asilo suspeito: Dilma critica operação que trouxe senador boliviano ao Brasil

A presidente Dilma Rousseff criticou hoje (27) a operação que trouxe para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina. Segundo ela, os países têm a obrigação de proteger seus asilados, garantido a segurança e a integridade física deles.
“Lamento que um asilado brasileiro tenha sido submetido à situação que este foi. Um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz é proteger a vida e garantir a segurança dos seus asilados”, afirmou a presidente.
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Depois de passar 454 dias na embaixada brasileira em La Paz, Pinto Molina chegou a Corumbá (MS) no sábado (24), após viagem de 22 horas em um carro da Embaixada do Brasil, escoltado por fuzileiros navais. O senador está agora em Brasília.
A viagem foi autorizada pelo diplomata Eduardo Saboia, que comparou as condições de vida na Embaixada àquelas oferecidas pelo DOI-Codi, destacamento de tortura montado na ditadura brasileira (1964-1985) para reprimir atos contra os militares.
Dilma, que participava de uma sessão solene no Congresso, negou, nesta terça-feira, que as condições em que o senador estava abrigado na Embaixada do Brasil em La Paz fossem precárias e contradisse o diplomata Saboia, que já está afastadosde suas funções.
Ao chegar, o diplomata disse que "ouviu a voz de Deus" para decidir trazer o senador boliviano de carro até Corumbá. Ativista política e guerrilheira, Dilma esteve presa no DOI-Codi antes de ser transferida para um presídio feminino, em São Paulo, nos anos 1970:
“Eu sei o que é o DOI-Codi e asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira em La Paz como é distante o céu do inferno”, disse a presidente.
A vinda de Molina arranhou também a autoridade do Ministério da Defesa: dois fuzileiros navais, que servem em La Paz, fizeram a escolta do senador boliviano na viagem de carro até Corumbá (MS).
Sobre a participação de fuzileiros navais na operação que trouxe o senador boliviano ao Brasil, Dilma Rousseff disse que o ministro da Defesa, Celso Amorim, vai esclarecer ainda hoje a questão.
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