Atentado de 11/09 nos EUA completa 12 anos e reforça posição americana contra Síria

Doze anos depois dos ataques do 11 de Setembro, os Estados Unidos novamente lideram um debate internacional sobre terrorismo e armas de destruição em massa. Desta vez, os norte-americanos defendem uma intervenção armada na Síria, para destruir estoques de armas químicas. O governo Sírio admite que tem as armas e sinalizou que quer negociar a entrega do material, sob o olhar de desconfiança do presidente americano, Barack Obama.
O plano será submetido ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que deverá transformá-lo em resolução a ser votada. Dos cinco membros com direito a veto no CS, Estados Unidos, França e Reino Unido apoiariam uma ação militar contra o regime sírio; Rússia e China defendem ação diplomática.
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"Hassad usou armas químicas, sabemos disso", diz Obama
Em pronunciamento à nação, terça-feira à noite, Obama aceitou queimar o último cartucho da diplomacia antes de ordenar um ataque com mísseis a alvos militares do regime de Bashar al-Assad, cuja família dirige a Síria há cerca de 50 anos.
"Hassad usou armas químicas contra seu povo", sabemos disso. "Agora, essas armas colocam sob risco nossos soldados que servem no exterior, nossas embaixadas. Quem pode garantir que essas armas não serão usadas por terroristas, a partir de agora"?, disse o presidente americano, em rede de televisão.
Obama repetiu o que já havia dito a deputados e senadores no salão oval da Casa Branca; "nenhum soldado americano pisará na Síria; a intervenção, se for necessária, será curta e pontual: não será como aconteceu no Afeganistão, no Iraque, Kosovo ou Líbia." Mas, pela primeira vez, fez uma ressalva sobre atrocidades cometidas também pelas forças de oposição regime de Assad:
"Há informações sobre violência contras civis cometidas também por grupos de oposição e também sabemos disso".
Comissão da ONU divulga relatório sobre crimes de guerra
Um grupo de juristas contratados pela ONU divulgou relatório nesta quarta-feira (11), dizendo que oposição e forças governamentais estão praticando crimes de guerra indiscriminadamente, na Síria. O grupo é chefiado pelo brasileiro e cientista político, Paulo Sérgio Pinheiro.
O grupo também critica ação militar contra o país, porque isso provocaria enorme sofrimento na população civil. Outro grupo de cientistas a serviço da ONU deve divulgar em alguns dias relatório sobre uso de armas químicas em bairros de Damasco. Exames laboratoriais estão sendo feitos em dois laboratórios suecos.
Assad admite que tem armas químicas
Al-Assad admite ter as armas, mas nega que tenha usado contra civis que apoiam grupo rebeldes na guerra civil, que já dura dois anos e que já matou, segundo a ONU, mais de 100 mil pessoas.
Cerca de 430 crianças teriam sido mortas por armas químicas em subúrbios de Damasco. Al-Assad diz que outros grupos de oposição poderiam ter usado as armas, obtidas no mercado negro.
Mesmo contra seu estilo, Obama anunciou ao mundo que atacaria a Síria e pediu apoio de seus políticos locais, usando uma coleção de vídeos onde crianças aparecem em agonia e outras, provalmente, mortas. Os políticos não compraram a intervenção militar no primeiro momento, mas o Senado votaria a resolução nesta quarta-feira (11). Diante da possibilidade de uma negociação séria e fiscalizada pela ONU para entrega das armas, o presidente americano suspendeu a votação por alguns dias.
Por enquanto, os norte-americanos adiaram o começo da ofensiva à espera de o presidente da Síria, Bashar al-Assad, entregar o arsenal químicos para a comunidade internacional destruir. O secretário de Estado John Kerry revelou esta semana que pelo menos mil toneladas de armamentos químicos estão depositadas em solo sírio.
Uma intervenção militar poderia desencadear uma grande contaminação na Síria, como forma de retaliação de grupos leais ao regime de Assad. O único irmão (mais novo) de Bashar, Maher, seria um dos líderes mais radicais do governo e que teria sido ferido em um ataque rebelde no começo de agosto.
Atentado em Nova York deixou mais de 3 mil mortos e desparecidos
Em 11 de Setembro de 2001, houve uma série de ataques suicidas coordenados pela rede Al Qaeda a cidades norte-americanas. Pela manhã, 19 homens ligados à rede sequestraram quatro aviões comerciais com passageiros e usaram dois deles para atingir as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York.
Os ataques às Torres Gêmeas mataram todos que estavam nos aviões e muitos dos que trabalhavam nos edifícios. Ambos os prédios desmoronaram em duas horas, destruindo construções vizinhas e causando outros danos. O terceiro avião de passageiros caiu contra o Pentágono, em Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington.
O quarto avião caiu em um campo próximo de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns dos passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle do avião, que os sequestradores tinham desviado para Washington. Não houve sobreviventes em qualquer um dos voos.
No total, aproximadamente 3 mil pessoas morreram, incluindo os 19 sequestradores. O governo dos Estados Unidos respondeu aos ataques a partir do movimento denominado Guerra ao Terror. Sob coordenação dos norte-americanos, houve a invasão ao Afeganistão. Vários países também reforçaram a legislação antiterrorismo e ampliaram os poderes de aplicação da lei.
Os Estados Unidos estabeleceram um fundo no valor de US$ 4,3 milhões para a cobertura de tratamentos médicos contra a asma e doenças respiratórias, além de depressão, ansiedade e dores múltiplas. Em junho, o instituto norte-americano para a higiene e saúde no trabalho recomendou que alguns tipos de câncer fossem acrescentados à lista de doenças ligadas aos ataques.
Seals matam Bin Laden, chefe da Al Qaeda
Em 2012, grupos de operações especiais da Marinha (Seals) mataram o suposto responsável maior pelo atentado aos Estados Unidos, onze anos antes. O ataque aconteceu dentro da casa onde Bin Laden morava, Paquistão. O corpo do terrorista (que havia sido treinado pela CIA, na guerra do Afeganistão contra a União Soviética, nos anos 80) nunca foi encontrado ou enterrado para que os radicais não celebrassem culto ao martírio do líder.
Com AgBr
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