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Aumento de publicidade de cerveja na Copa pode estimular consumo entre crianças

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Aumento de publicidade de cerveja na Copa pode estimular consumo entre crianças

O aumento do número de propagandas de cervejas durante o período da Copa do Mundo pode levar ao crescimento do consumo de álcool entre crianças e adolescentes, alerta o Instituto Alana.

“Com a Copa, a publicidade de cerveja aumenta muito e a cerveja, para fim de publicidade, não é considerada bebida alcoólica, ela pode ser anunciada a qualquer hora do dia na televisão. Os jogos  que passarem durante o dia vão ter, provavelmente, muita publicidade de cerveja e, dependendo de como essas publicidades são feitas, elas atingem diretamente o público infantil”, destaca a diretora do Instituto Alana, Isabella Henriques.

A psicóloga e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ilana Pinsky reforça o alerta do instituto e destaca que é volumosa a quantidade de pesquisas que mostram a relação entre a maior exposição à publicidade de álcool e o consequente crescimento do consumo da substância. “Essa ligação é extremamente conhecida e, para as crianças, é mais importante. Elas começam a reconhecer desde muito cedo as marcas ligadas a bebidas alcoólicas, principalmente, as das cervejarias, que são as empresas que se ligam mais em patrocínio de eventos e principalmente de futebol”, diz.

A restrição à publicidade de bebidas no Brasil é feita por meio da Lei 9.294/96 e vale para os produtos com teor alcoólico acima de 13 graus Gay-Lussac (ºGL), a exemplo do uísque e da cachaça. A cerveja, porém, não se enquadra nessa faixa.

Além da televisão, a exposição de bebidas alcoólicas nas redes sociais também têm preocupado pesquisadores. “Quando você faz uma publicidade por meio da televisão, você é apenas um espectador. Quando isso é feito por meio de uma rede social, você pode participar dela, postando fotos, opiniões”, explica.

De acordo com o 6º Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio das Redes Pública e Privada, feito nas 27 capitais brasileiras e divulgado no final de 2013, a idade média do primeiro contato com as bebidas alcoólicas é 13 anos.

A pesquisa ouviu 50.890 estudantes. Cerca de 15,4% dos que tinham entre 10 e 12 anos declararam que tinham consumido álcool no ano da pesquisa. A proporção sobe para 43,6% entre os adolescentes de 13 e 15 anos, e para 65,3% entre 16 e 18 anos. De todo o universo pesquisado, 60,5% dos estudantes declararam já ter consumido álcool.

“Essa publicidade gera como consequência o aumento do consumo de cerveja por crianças cada vez mais cedo. Hoje, no Brasil, a idade que se começa a ter problema com álcool é 11 anos. E a nossa preocupação é o impacto que a publicidade de cerveja terá durante a Copa”, ressalta Isabella.

A Ambev, a quarta maior cervejaria do mundo, foi procurada pela reportagem mas não quis conceder entrevista sobre o assunto.

 

Ag.Br

 

 

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