Brasil é o 8º país com mais adultos analfabetos, aponta Unesco

A Unesco divulgou nessa quarta-feira (29) a nova edição do relatório global Educação para Todos. O documento revela que a crise do ensino está custando aos governos US$ 129 bilhões por ano, ou R$ 314 bilhões. Ainda segundo relatório, o Brasil ocupa o oitavo lugar na lista da Unesco dos países com o maior número de adultos analfabetos no mundo.
Do total de 774 milhões de adultos analfabetos no mundo, 72% estão em dez países, entre eles o Brasil, em oitavo lugar. A Índia lidera a lista, seguido de China e Paquistão. O documento da Unesco mostra avanços na área, mas aponta lentidão para atingir a meta até 2015, conforme compromisso assumido pelos países.
Segundo a Unesco, na última década, o número de adultos analfabetos caiu apenas 1%. Garantir o ensino básico fundamental para todos está entre as oito metas do milênio elaboradas pela ONU. No Brasil, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2012 revelou que são 13 milhões e 200 mil analfabetos com 15 anos ou mais. Segundo o Ministério da Educação, as taxas caíram entre os jovens, mas há concentração entre idosos.
Em dezembro, o plenário do Senado aprovou o Plano Nacional de Educação que prevê a destinação de 10% do PIB para o setor. O Plano tem duração de dez anos e traz, entre suas diretrizes, a erradicação do analfabetismo e a universalização do atendimento escolar. O texto voltou para exame da Câmara dos Deputados.
Gastos
Segundo a agência, 10% dos gastos globais com educação primária são perdidos em ensino de baixa qualidade. Com isso, um em cada quatro jovens de países pobres não é capaz de ler uma única frase. No mundo, 250 milhões de crianças não estão aprendendo o básico do ensino.
O relatório destaca que bons professores são a chave para melhorar a situação e pede aos governos que invistam nesses profissionais. O documento da Unesco faz uma série de referências ao Brasil.
A agência da ONU afirma que o país é uma exceção, por estar usando de forma eficiente testes nacionais em alunos. O relatório cita o Prova Brasil, que é uma avaliação de rendimento escolar. Segundo a pesquisa da Unesco, o teste tem ajudado escolas a planejar estratégias para melhorar a qualidade do ensino.
O relatório afirma que o Brasil coloca o setor de educação como prioridade e que em 2011, o governo utilizou 18% dos seus gastos totais em educação, com mais de US$ 2 mil sendo investidos por criança do ensino primário. O maior nível de receitas fiscais explica porque o Brasil gastou 10 vezes mais do que a Índia por aluno.
A distribuição de renda aos brasileiros mais pobres contribuiu para o melhor atendimento escolar e melhor proporção aluno/professor. Segundo o relatório, 53% dos eleitores sem escolaridade afirmaram que apoiariam um governo corrupto, porém competente. Por outro lado, apenas 25% dos eleitores com ensino superior concordaram com a ideia.
O levantamento da Unesco traz dados sobre salários dos professores, que na América Latina é menor do que outras profissões que pedem qualificações parecidas. Um exemplo citado é o Brasil, onde em 2007, profissionais de alguns setores ganhavam 43% a mais do que professores da pré-escola e do primário.
A Unesco também destaca o aumento médio de 61% das matrículas escolares na região Nordeste e de 32% no Norte brasileiro, ocorrido entre os anos de 1997 e 2002.
Mas a agência da ONU sugere reforço das reformas escolares nas duas regiões, onde as notas de matemática, por exemplo, ainda são menores do que nos estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
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