Brasileira do Pan se divide entre o squash e a medicina

Entre os 519 nomes da delegação do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, nem todos têm condições de viver somente do esporte. Entre eles está a jogadora de squash Mariana Pontalti, gaúcha de 29 anos, que escolheu conciliar a rotina de atleta com outra carreira que exige muito esforço: a medicina.
Praticante da modalidade desde os sete anos, ela trocou a escala de plantão na emergência de um hospital dePorto Alegre para conseguir viajar a Guadalajara, onde deverá jogar o torneio de duplas e por equipes:
“Faz dois anos que eu me formei. Continuo tabalhando, mas no ano que vem vou ter que priorizar um pouco (a medicina) porque quero fazer a prova de especilização em neurologia. Esse ano precisei parar de estudar para jogar, mas em 2012 eu volto. Eu ainda consigo conciliar as duas profissões, mas depois que eu entrar na especialização, vamos ver”.
Esta é a segunda vez que Mariana precisa "suspender" suas atividades na medicina por conta de Pan. Em 2007, ela participou dos Jogos do Rio de Janeiro, onde chegou à quinta colocação por equipes
“Mas no Rio era estágio, então foi bem mais tranquilo. Eu pedi licença e saí. Agora que é aquela coisa de ter que ficar trocando de horário”.
A treinadora de toda equipe feminina brasileira, Karen Redfern, sabe a dificuldade de viver entre várias atividades. Dona de 16 títulos brasileiros, ela viveu toda a carreira entre o squash, a função de administradora de empresas e os dois filhos.
“Hoje, acho que a Mariana é melhor jogadora de squash que médica, pois ela acabou de se formar. Mas quando ela começar a pegar pesado na medicina, acho que não vai dar”.
Além dos diversos títulos nacionais, Karen ainda soma dois bronzes em Pans, conquistados em Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003. Depois do Rio-2007, chegou a dizer que iria se aposentar, mas decidiu voltar e levou três medalhas (uma prata e dois bronzes) nos Jogos Sul-Americanos de Medellín, realizados no ano passado:
“Dá vontade de disputar o Pan de novo, mas deixa as meninas jogaram... pelo nível técnico, até que conseguiria competir, mas chega o terceiro dia seu físico já não aguenta mais tanto”.
Além de Mariana, a equipe brasileira feminina de squash é composta por Marina Costa e Thaísa Serafini (esta última, a responsável por acabar com uma invencibilidade de 14 anos de Karen no Brasil). As provas da modalidade no Pan-2011 começam já no próximo sábado (15) e vão até o dia 22.
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