Calote impulsiona leilões de carros desde crise de 2008

Os Reflexos negativos da explosão de vendas de veículos causada pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), para combater a crise de 2008, já podem ser vistos agora.
Os consumidores que compraram um carro novo na época não estão conseguindo arcar com as prestações do financiamento, o que aumenta os casos em que os veículos são retomados pelos bancos. O resultado é um aumento no movimento nas casas de leilões.
De acordo com dados do BC (Banco Central), divulgados em setembro, a taxa de inadimplência com atraso superior a 90 dias do financiamento de veículos subiu 31% em agosto deste ano em comparação com o mesmo mês de 2010, passando de 3,2% para 4,2%.
Com mais pessoas sem condições de quitar as contas dos veículos, mais carros são levados a leilão por decisão judicial. Em 2011, os leilões de veículos ultrapassaram os de máquinas e equipamentos, que eram os mais realizados até janeiro. Agora, cerca de 40% dos leilões são voltados para venda de carros. O restante ainda fica com máquinas, equipamentos e imóveis. Os principais compradores dos carros de leilões são empresários que os revendem.
Para o professor de economia da faculdade Ibmec, Felipe Leroy, o principal fator que contribuiu para o aumento da inadimplência no setor foi a corrida às concessionárias quando o governo reduziu os imposto sobre os carros para minimizar os impactos na grande crise econômica mundial iniciado em 2008.
Muitos consumidores tentaram aproveitar os preços e prazos de pagamentos mais atraentes, mas alguns não avaliaram o tamanho da dívida antes de assinar contratos de financiamento. Algumas pessoas que compraram veículos na época não tiveram aumento real de salário e, por isso, hoje estão em dificuldade.
Segundo dados da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras), o montante total da dívida dos compradores de veículos chegou a R$ 6,9 bilhões em agosto. No mesmo período do ano passado, o valor estava em R$ 3,9 bilhões, o que indica um crescimento de 76,9%.
Do Portal R7
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