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Cássia Eller: 10 anos sem a garotinha irreverente

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Cássia Eller: 10 anos sem a garotinha irreverente

A voz grave de trovão e o ecletismo musical sempre foram características marcantes nas músicas de Cássia Eller, com misturas que iam desde o rock ao folk, pop, música francesa e baião. Nesta quinta-feira, 29 de dezembro, completam-se 10 anos da morte de uma das principais divas do cenário musical brasileiro.

Nos dias de hoje, são muitas as cantoras nacionais e internacionais que adotam uma postura considera “fofinha” ou midiaticamente apelativa, tentando agregar romantismos de boteco ou chocando a todos com atitudes nada autenticas. Cássia, em contrapartida, concentrava-se apenas em ser ela mesma seja no palco, backstage ou na vida pessoal, conseguindo assim entrar para o rol das personalidades consideradas imortais do universo brazuca, com sua guitarra em punho aliado comportamentos totalmente irreverentes e controversos à política conservadora e moralista de um país.

Conhecida também por sua personalidade forte e ímpeto inflamado, Eller na verdade era um “doce de pessoa”, como afirmou certa vez sua amiga e ex-companheira de banda, a percussionista Lanlan. No ano de 1990, a cantora chamou atenção da crítica e público com gravações como “Por Enquanto”, um lado B da Legião Urbana, banda da qual era fã declarada.

Cássia, apesar de fazer sua carreira como intérprete, conseguiu dar uma nova roupagem a hits já conhecidos pelo grande público, tais como “Malandragem” do Cazuza, “Luz dos Olhos” do Nando Reis e “Top Top” dos Mutantes. É como se cada música escolhida e regravada, tivesse sido feita sob medida para si, refletindo a alma da artista.

Durante mais de uma década, Cássia brindou o público brasileiro com interpretações marcantes para artistas de vários gêneros e épocas, como Cazuza, Barão Vermelho, Caetano Veloso, Chico Buarque, Jimi Hendrix, Rita Lee, Beatles e até Nirvana. Entre seus principais sucessos estão discos memoráveis como O Marginal (1992), Veneno AntiMonotonia (1997), Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo (2001) e Acústico MTV (2001).

Porém, no dia 29 de dezembro de 2001, veio a trágica notícia. Aos 39 anos, no auge da carreira, Cássia Eller veio a óbito em razão de um infarto do miocárdio (músculo localizado no coração).

Sabe-se que Cássia era homossexual assumida, tendo como sua companheira Maria Eugênia Vieira Martins, com quem ela criava o filho Francisco, também órfão de pai, o músico Otávio Fialho, morto em um acidente de automóvel alguns dias antes do nascimento da criança.

Cássia chamava o filho carinhosamente de Chicão, e não eram poucas às vezes em que ela se referia ao garoto em suas músicas e shows, com demonstrações públicas de amor, como durante a gravação do disco Acústico MTV na música “1º de Julho”. Hoje, aos 19 anos, Chicão Eller segue os passos artísticos da mãe como cantor e percussionista da banda Zarapatéu. 

 

Da redação do Portal Sua Cidade/ Marcos Atahualpa Cartágenes

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