Comitê da ONU pede ao Vaticano que afaste suspeitos de abusos contra menores

O Comitê sobre os Direitos da Criança apresentou nessa quarta-feira (5), em Genebra, as conclusões da análise feita sobre a Santa Sé. O órgão, que integra o Conselho de Direitos Humanos da ONU, expressou grande preocupação com casos de "abuso sexual cometidos por membros da Igreja Católica".
O relatório do Comitê cita "clérigos envolvidos no abuso sexual de dezenas de milhares de crianças em todo o mundo". O órgão da ONU pede ao Vaticano que "afaste imediatamente" todos os que cometeram o crime e também todos os suspeitos de abuso, e envie os casos para a Justiça.
Outro apelo feito ao Vaticano é pela reforma das leis canônicas, para que passem a considerar crime o abuso sexual de menores e não apenas "delitos contra a moral." O Comitê pede à Santa Sé que forneça compensação a todas as vítimas desses crimes.
Sobre a postura da Igreja Católica em relação a abortos, o relatório da ONU cita um caso ocorrido no Brasil em 2009, onde uma menina de nove anos realizou um aborto após ter sido estuprada pelo padrasto. Na época, o arcebispo de Pernambuco condenou a mãe da garota e o médico que realizou o aborto.
O Comitê apela à Santa Sé para que reveja sua posição em relação ao aborto, nos casos onde há sério risco de vida para as garotas grávidas. Outra preocupação é com as "consequências negativas" da posição sobre acesso dos adolescentes a métodos contraceptivos e informações de saúde reprodutiva.
Resposta
Em seu site oficial, o Vaticano divulgou uma nota comentando as observações da ONU e afirmando que irá estudar o relatório. Mas a Santa Sé considera que alguns pontos do documento "tentam interferir com os ensinamentos da Igreja Católica sobre a dignidade humana e a liberdade religiosa".
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