Competição do Festival de Veneza ignora filmes latino-americanos

Não há nenhum filme latino-americano na compacta seleção da competição do 69º Festival de Veneza , que começa nesta quarta (29 de agosto) e vai até 8 de setembro. São 18 longas-metragens – no ano passado, foram 23.
Em 2011, aconteceu a mesma coisa: nenhum competidor latino. Parece que, não importa quem seja o diretor, Marco Müller, comandante até a edição anterior, ou Alberto Barbera, que assume nesta, mexicanos, argentinos, brasileiros e seus vizinhos não têm lugar para disputar o Leão de Ouro.
É difícil de entender por quê. Mas no Festival de Berlim também foi assim, enquanto Cannes contou com “Post Tenebras Lux” , do México, dirigido por Carlos Reygadas, e, vá lá, “Na Estrada” , de Walter Salles, na verdade uma produção internacional.
Pode ser uma simples questão de safra – o Brasil há tempos não participa nas competições dos grandes festivais do mundo, mas costuma estar representado nas outras seções. Desta vez, compareceu só com o curta “O Afinador” , de Fernando Camargo e Matheus Parizi, na mostra Horizontes.
Mesmo nossos “hermanos” estão escassos em Veneza. Da Argentina, vêm “El Impenetrable”, de Daniele Incalcaterra e Fausta Quattrini, fora de competição, e “Leones”, de Jazmin Lopez, exibido na seção Horizontes. Do México, participam o curta “Las Manos Limpias”, de Carlos Armella, e “Miradas Múltiples”, da Emilio Maillé, na mostra Veneza Clássicos, além de “No Quiero Dormir Sola”, de Natalia Beristain, na paralela Semana Internacional da Crítica. Do Paraguai, o curta “Resistente”, de Renate Costa Perdomo e Salla Sorri. E é isso. A redução do número de produções também na mostra Horizontes parece ter diminuído o espaço para os latinos.
Favoritos
Mas, voltando à competição, são quatro norte-americanos, quatro asiáticos e dez europeus, três deles italianos. Os filmes dos Estados Unidos, claro, sempre chamam a atenção, especialmente quando se tem a raridade de um segundo Terrence Malick em dois anos – o cineasta atua desde o final dos anos 1960, e este é apenas seu sexto longa-metragem. Depois da Palma de Ouro com “A Árvore da Vida” , “To the Wonder”, com Ben Affleck, Rachel McAdams, Javier Bardem e Olga Kurylenko, é uma reflexão sobre o amor.
Outro aguardadíssimo é “The Master” , de Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”), sobre um veterano da Segunda Guerra que se fascina com um líder espiritual – dizem, foi inspirado na Cientologia.
“At Any Price”, de Rahmin Bahrani, é uma tentativa de Zac Efron mostrar seu lado sério. “Spring Breakers” traz mocinhas como Selena Gomez e Vanessa Hudgens ao papel de garotas querendo barbarizar nas férias. O diretor é Harmony Korine, o autor do roteiro do polêmico “Kids” (1995).
O americano Brian De Palma vive uma situação curiosa: aparece com “Passion”, estrelado por Rachel McAdams e Noomi Rapace, que, no entanto, é uma coprodução França-Alemanha.
Três dos asiáticos da competição são figurinhas carimbadas dos festivais: o japonês Takeshi Kitano segue com a história de “Outrage” (2010), apresentado em Cannes, com “Outrage Beyond”, mais um filme sobre a máfia, enquanto o sul-coreano Kim Ki-duk, vencedor do prêmio da mostra Um Certo Olhar em Cannes no ano passado, exibe “Pieta”, cujo protagonista é um agiota, e o filipino Brillante Mendoza (de “Captive” , selecionado para o Festival de Berlim de 2012) concorre com “Sinapupunan”, sobre uma mulher infértil que resolve arrumar outra esposa para seu próprio marido. Completa a esquadra oriental o israelense Rama Burshtein, com “Lemale et Ha’Chalal”, sobre uma garota de uma família ortodoxa.
Entre os europeus, há alguns estrelados também. Olivier Assayas ( “Carlos” ) apresenta “Après Mai”, sobre um grupo de estudantes nos anos 1970. “Bella Addormentata”, do italiano Marco Bellocchio (“Vincere”), gira em torno de seis personagens conectados a Eluana Englaro.
Os outros representantes nacionais são Daniele Cipri, com “È Stato il Figlio”, e Francesca Comencini, com “Un Giorno Speciale”. Também levantam as bandeiras do continente “La Cinquième Saison”, coprodução Bélgica-Holanda-França dirigida por Peter Brosens e Jessica Woodworth, o francês “Superstar”, de Xavier Giannoli, o russo “Izmena”, de Kirill Serebrennikov, a coprodução Áustria-Alemanha-França “Paradies: Glaube”, de Ulrich Seidl, que compareceu a Cannes com “Paradies: Liebe” , e “Linhas de Wellington”, coprodução Portugal-França dirigida por Valeria Sarmiento, um projeto que Raoul Ruiz estava tocando antes de sua morte.
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