Conheça a moto 100% elétrica que custa apenas R$ 29 mil

Até hoje, a maioria dos veículos de duas rodas elétricos pecaram em algum ponto. Seja estético ou tecnológico, muitos lançamentos deste segmento ainda não conseguiram agregar as características de uma motocicleta. Com a Zero DS, estes conceitos começaram a mudar. Sua autonomia ainda não concede a liberdade que o piloto merece e a bateria poderia carregar mais rapidamente, mas no quesito estético e ergonômico, a empresa canadense está um passo à frente.
A nova Zero DS tem cara de moto, jeito de moto e se não fosse a ausência de câmbio seria uma moto! As grandes diferenças são mesmo a "falta" de um tanque de combustível fóssil e o motor elétrico de alto desempenho.
Sensação elétrica
Não há partida e não existe ruído, pelo simples fato de o motor elétrico ser alimentado por uma bateria de íons de lítio. Essa característica por si só já causa muita estranheza ao motociclista. Todavia, a Zero DS conseguiu, mesmo sem o ruído apaixonante de uma moto, atender aos meus anseios durante uma semana de teste. E saibam que ela foi muito exigida.
Em terrenos acidentados a motocicleta consegue transpor qualquer subida, seja ela a mais íngreme que for. Isso não é um problema, desde que esteja carregada. Aliás, totalmente cheia a bateria lhe entregará potência e torque suficientes para sair em primeiro no farol, ou mesmo realizar ultrapassagens dentro da cidade. O problema ainda é a durabilidade e o tempo de recarga da bateria.
A bateria
O problema da autonomia é algo que persiste nesse modelo elétrico. Com pessoas de peso e altura elevados, ela não ultrapassa os 50 km. E tem mais. O piloto não pode se empolgar e pilotar no limite do propulsor elétrico. Atingindo os 110 km/h que mostrava o velocímetro digital, a carga da bateria acaba com muita rapidez, fazendo com que o seu desenvolvimento durante uso seja drasticamente reduzido. E é exatamente isso que o comprador de uma Zero DS tem que entender. O limite pode até ser alcançado, mas nunca mantido, senão seu passeio acabará antes do previsto.
Isso poderia não ser um problema, mas a cidade ainda não está pronta para receber produtos elétricos. Se você ficar na mão, ou seja, se a carga acabar, somente uma boa lábia o salvará. Calma, a bateria não desligará do nada. Um marcador de combustível convencional no painel vai alertando para a situação da carga. Entretanto a visualização pode enganar. Quando a moto vai para a rua completamente carregada e o piloto exige muito dela, sendo em uma subida ou uma longa reta, o medidor indica uma queda grande na carga da bateria.
Soltando a mão ou parando em um farol, nota-se que parte desta carga parece voltar. Mas não confie plenamente nesta medição. Minha dica é sempre mantê-la carregada, ou seja, ponha na tomada aonde você for.
Ciclística convencional
Um dos detalhes que fogem do comum quando o assunto passa para a ciclística é o chassi da Zero DS. Fabricado em alumínio aeronáutico de baixo peso (8 kg), o quadro deixa a moto com um ar elegante e bem diferente. O restante da ciclística nós estamos cansados de ver por aí. A suspensão dianteira é invertida com 18 opções de ajuste de compressão e 12 de retorno, sendo seu curso de 228 mm. Na traseira a suspensão é do tipo monochoque com 203 mm de curso e regulagens de pré-carga, compressão e retorno.
Antes de citar os freios devo dizer que o conjunto ciclístico da Zero DS é de uma moto convencional, portanto atende à proposta do modelo. Porém, como não há um tanque de combustível, o condutor pilota muito próximo ao guidão, alterando toda a ergonomia perante a uma moto "normal".
Os freios a disco em ambas as rodas são suficientes para frear a moto com perfeição, mas não trazem a opção do ABS. Para garantir a aderência ao piso, roda de 17 polegadas com pneu 110/80 com desenho misto na frente, e roda traseira de 16 polegadas com pneu 120/80 na traseira. O painel conta com informações analógicas e digitais, mostrando velocímetro, dois hodômetros e indicador do nível de bateria, além de uma luz espia que informa a temperatura.
Conclusão
Sabendo utilizá-la, o piloto pode certamente realizar sua rotina em qualquer cidade do país, sendo capaz de substituir as motos movidas com motores de combustão interna. Basta lembrar que se trata de uma moto elétrica. Do mais, a moto divide os espaços da cidade com qualquer outra motocicleta de igual para igual. A bateria ainda demora a carregar e dura pouco, porém quando a recarga for mais rápida e durar por mais de 200 quilômetros, as motos elétricas vão começar a ser levadas a sério e com preço acessível ao bolso do consumidor (R$ 29 mil)
Vendas elétricas
Segundo a assessoria da marca, algumas motos da Zero Motorcycle foram vendidas durante a feira de motos de São Paulo, sendo o pós venda de responsabilidade do importador e será realizada na loja da KTM na Avenida dos Bandeirantes, na capital paulista. Não existem muitas revendas espalhadas pelo país e o conceito de moto elétrica ainda não emplacou no Brasil, mas rodar com a Zero DS é uma experiência diferente.
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