CPI da Espionagem defende asilo a Edward Snowden; decisão cabe à Dilma

O asilo pedido ao Brasil pelo espião norte-americano Edward Snowden foi discutido nesta terça-feira (17) por parlamentares do Brasil e da União Europeia.
Eles debateram por meio de uma videoconferência entre Brasília e Bruxelas, sede do parlamento europeu, e começaram a trocar oficialmente informações sobre o escândalo da espionagem dos Estados Unidos e seus aliados em vários países.
Brasil e União Europeia criaram comissões de investigação sobre a espionagem com objetivos bastante parecidos. Durante a teleconferência, os parlamentares europeus fizeram várias perguntas aos senadores que dirigem a CPI da Espionagem no Brasil. Uma das principais curiosidades dos europeus foi com relação às mudanças na legislação e nas instituições brasileiras por conta da CPI.
A presidente da comissão, senadora Vanessa Graziottin (foto), explicou que no campo internacional o Brasil defende uma nova governança da internet que também inclua outros países e não só os Estados Unidos. Dentro do país ela citou a necessidade de investimento em mais tecnologia, inovação e novos sistemas de contra-inteligência. Lembrou a conferência internacional sobre internet que o Brasil vai sediar em abril e defendeu a criação de uma nova agência nacional de inteligência para defesa cibernética.
Os parlamentares europeus receberam na segunda-feira (16) a visita de congressistas norte-americanos, que consideram Edward Snowden um traidor, por ter vazado documentos secretos para o jornalista Gleen Greenwald e para outras publicações. Mesmo assim, tanto a senadora Grazziotin, quanto o relator da CPI, senador Ricardo Ferraço, defenderam a concessão de asilo a Edward Snowden.
“Asilo político é uma tradição da política externa e da diplomacia brasileira e inclusive um ato de soberania unilateral.”, disse Ricardo Ferraço.
“Eu creio que seria muito interessante o Brasil conceder o asilo, mas a quem? A um ser humano que está pedindo. A um ser humano e só isso.”, afirmou Vanessa Grazziotin.
No entanto, Vanessa Graziottin e Ricardo Ferraço lembraram que nem todos os parlamentares no Brasil são favoráveis e que a decisão final cabe à presidente Dilma Rousseff. Os senadores da CPI também querem que brasileiros e europeus tenham os mesmos direitos constitucionais dos norte-americanos. Para eles o monitoramento de informações privadas de cidadãos de qualquer nacionalidade só deveria acontecer com autorização judicial.
Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
Colabore com a redação