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CPI da espionagem: Glenn Greenwald afirma que EUA espionam para obter vantagens econômicas

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CPI da espionagem: Glenn Greenwald afirma que EUA espionam para obter vantagens econômicas

Em depoimento à CPI da Espionagem, na tarde dessa quarta-feira (9), o jornalista norte-americano Glenn Greenwald disse que já revelou o que sabia sobre o Brasil. Ele ironizou a Casa Branca, que afirma que a vigilância é para combater o terrorismo, ao questionar o monitoramento do Ministério de Minas e Energia, que, segundo o governo norte-americano, tem um sistema de informação parecido com o da Al Qaeda. Ele destacou que os Estados Unidos ao lado de parceiros, como o Canadá, fazem espionagem econômica. E alertou que o método de grampo intercepta os sistemas mais seguros do mundo.

“O sistema de espionagem dos Estados Unidos é o sistema mais forte do mundo. É muito difícil. O NSA [Agência de Segurança Nacional (em inglês)] não está brincando e nem fazendo espionagem contra a Petrobras por nada”, afirmou Greenwald.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) propôs ao jornalista que entregasse à CPI os documentos que tem sobre o Brasil para serem analisados pelo colegiado. “Nós não podemos ficar sendo pautados por programas de televisão”, disse o senador. Taques propôs que a documentação fique sob a guarda da CPI com a ressalva de que o jornalista tenha acesso a eles para continuar publicando as reportagens. “São documentos onde há ao menos indício de crimes. E documentos onde há indício de crimes podem ser objeto de busca e apreensão. Então sugiro que ele deixe esses documentos sob a guarda do Senado, desta CPI, e possa ter acesso a eles para executar seu trabalho”, completou.

O companheiro de Glenn, o brasileiro David Miranda, que foi detido em Londres, disse que o jornalista não pode repassar para a CPI os documentos entregues pelo ex-agente norte-americano Edward Snowden.

“Esse pedido é inviável, primeiro porque são documentos muitos sensíveis e têm informações de muitos países, não só o Brasil. Então a gente vai estar entregando documentos dos EUA ao governo de um outro país. Isso vai ser traição e ele nunca mais vai poder voltar ao país dele. Outro ponto é que a gente faz todas as análises, todos os dias que ele faz, e as publicações vem vindo”, disse o brasileiro.

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Diante da negativa, o relator da CPI, senador Ricardo Ferraço do PMDB do Espírito Santo, defendeu uma teleconferência para ouvir Snowden. Para isso, pedirá autorização da Rússia, onde ele está asilado.

“O que ele nos disse é que somente o Snowden tem esse nível de informação. A partir daí, vamos solicitar a missão diplomática em Brasília da Rússia que possamos fazer uma teleconferência com o Snowden. Através dessa teleconferência teremos acesso à fonte primária, o Snowden, para que possamos ter respostas para todos esses questionamentos”, falou o senador.

A CPI solicitou ao Ministério das Relações Exteriores que acompanhe o processo aberto contra David Miranda na Inglaterra em retaliação às denúncias do companheiro dele.

O brasileiro David Miranda foi detido no aeroporto de Londres, Heathrow, em meados de agosto para interrogatório de nove horas. David teve o computador apreendido pelas autoridades inglesas.

“Eu fui preso porque sou brasileiro. Esses países, como a Inglaterra e os Estados Unidos, ainda olham o Brasil e os outros países da América do Sul como colônias”, declarou.

Miranda cobrou ações mais rigorosas do Itamaraty em relação ao incidente e às prisões arbitrárias de brasileiros na Inglaterra sob o pretexto da lei antiterrorismo britânica.

“Eu fiquei decepcionado com a resposta de imediato que a gente teve do Itamaraty, porque foi rápida, mas não foi suficiente. E até agora não vi nenhuma reposta concreta para que isso não se repita com outros brasileiros”, disse.

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