Deputados maranhenses divergem sobre pedido de cassação da governadora Roseana

O assunto mais comentado na Assembleia Legislativa do Maranhão nesta quinta-feira foi o pedido de cassação da governadora Roseana Sarney (PMDB) e do vice Washington Luis (PT), encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral, pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em Brasília.
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Procurador geral da República pede cassação de Roseana e do vice Washington
O pedido feito por Gurgel na última quarta-feira (07) abastecerá as discussões políticas em todo o estado, no momento em que os grupos escolhem seus aliados para disputar as eleições de 2014 (governo, deputados e senado), que terão ainda campanha para a Presidência da República. O julgamento do processo pelo TSE mexerá no tabuleiro das alianças do Maranhão.
Dois nomes são comentados no Maranhão para substituir Roseana em 2014: o governista Luis Fernando, atual secretário de Infra-estrutura e o presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB)
Deputados governistas defendem o processo eleitoral de 2010, enquanto os oposicionistas falam da necessidade de novas eleições no estado, caso a plenário do TSE determine a cassação da atual governadora.
"Nossa governadora está tranquila. Querer mostrar irregularidade na eleição é um direito democrático de quem perdeu", comentou o governista Hélio Soares (PP), em tom conciliador.
Outro deputado da base da governadora explicou que "o parecer do procurador geral da República não é uma sentença, é apenas um parecer. Caberá aos ministros do TSE o julgamento do processo. A governadora tem bons advogados acompanhando o caso e vai sair por cima", avaliou Edilázio Jr (PV).
Em seu despacho, um dos últimos de seu mandato que vence no próximo dia 15, o procurador geral da República entendeu que houve abuso de poder econômico por parte da governadora maranhense, devido a "assinatura de vários convênios com prefeituras em período eleitoral".
Estimulados pela possibilidade de cassação da governadora a oposição demonstra um tom fiscalizador e outro de definição. O deputado Rubens Jr (PCdoB) espera a resolução do processo até dezembro de 2013:
"Agora é o Ministério Público Federal que está dizendo que houve abuso na eleição de 2010. Acredito que até dezembro o processo será julgado pelo TSE e que a governadora será cassada. Teremos uma nova eleição, livre e sem vícios", prevê o deputado.
Em tom mais conciliador, Marcelo Tavares (PSB) disse que o momento deve ser usado para garantir a "governabilidade do estado".
"Temos de fiscalizar o governo mais ainda. Não podemos permitir novos abusos nem hoje, nem nas eleições de em 2014", finalizou Tavares.
A denúncia contra Roseana Sarney e o vice Washingto Luis foi formulada pelo ex-governador maranhense José Reinaldo Tavares e a resposta do procurador Gurgel demorou um ano para ser conhecida. Na documentação enviada por Tavares, os convênios de repasse de dinheiro às prefeituras teriam atingido R$ 1 bilhão, no período de campanha para eleição de 2010.
A governadora negou as denúncias. Eis a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Roseana Sarney:
A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, afirmou que seu mandato é legítimo, conquistado por meio do voto direto e dentro de um processo democrático e limpo.
“As minhas ações foram transparentes e dentro da lei. A minha eleição para o cargo de governadora foi legítima. Por isso, a minha consciência está tranquila e tenho confiança que exercerei meu mandato até o fim”, declarou a governadora maranhense.
Roseana Sarney foi eleita em 2010 com 1.459.792 votos, totalizando 50,08% da preferência do eleitorado do estado; contra 859.402 votos do segundo colocado, que somou apenas 29,49%.
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