Descaso! Gov. do Estado recusa doentes levados pela prefeitura

Uma mulher que sofria de obesidade mórbida, hipertensão e diabetes teve seu atendimento médico negado após ter chegado a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), administrada pelo governo estadual em São Luís.
O motivo teria sido porque a mulher foi conduzida em uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), gerido pela Prefeitura de São Luís.
A mulher teve que esperar uma hora na porta e só entrou após a interferência da Polícia Militar.
Os pacientes transportados pelo serviço estão proibidos de ser atendidos nas UPAs. E quem precisar de atendimento de urgência tem de chegar por meios próprios, como carro ou mesmo a pé.
O veto contraria portaria do Ministério da Saúde, segundo a qual as UPAs têm de trabalhar em conjunto com o Samu.
De acordo com o Ministério Público, a proibição é resultado de disputa política: o prefeito João Castelo (PSDB) é adversário da governadora Roseana Sarney (PMDB) -o secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad, é cunhado de Roseana.
IMPASSE
O caso dessa senhora não é primeiro, segundo a Promotoria, vários pacientes já foram deixados pelo Samu perto das unidades estaduais, para depois seguirem de táxi ou carregados por parentes.
"[O impasse] Tem causado um transtorno muito grande ao sistema", disse o promotor Herberth Figueiredo, que deve entrar com ação contra o Estado pedindo a abertura das UPAs ao serviço municipal.
O governo do Maranhão diz que acertou a proibição com a prefeitura, que nega.
"A gente é proibido de entrar nas UPAs. Se tentarmos colocar a ambulância, o guarda fecha o portão. É assim desde a inauguração [no último ano]", afirma o diretor do Samu, Rurion Meneses.
O serviço tem 12 ambulâncias para socorrer urgências. O Estado dispõe apenas de veículos para transferir pacientes entre unidades.
De acordo com a portaria do ministério que define as diretrizes para as UPAs, elas têm de atuar com o Samu. Há cinco unidades na Grande São Luís.
Hoje, todos os pacientes transportados pelo Samu, inclusive os de menor complexidade, são levados diretamente aos dois prontos-socorros municipais.
O modelo de UPA idealizado pelo ministério pretendia justamente desafogar os prontos-socorros. Pois os Socorrões sofrem há anos com a superlotação.
Mas o que devia acontecer normalmente, em São Luís ocorre o contrário, afirma o Ministério Público, A recusa do atendimento de pacientes do Samu faz as UPAs operarem "de forma tranquila", deixando os Socorrões lotados.
ACORDO
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Estado e município fizeram um acordo para que as UPAs "se abstivessem de receber pacientes do Samu, devido à superlotação das mesmas, decorrente da precária situação dos serviços da prefeitura".
"A decisão vale até que a prefeitura invista nas suas unidades", afirmou. A prefeitura negou ter feito qualquer acordo.
Informações Folha de São Paulo
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