Desemprego global de jovens vai atingir 71 milhões em 2016

O relatório Panorama Mundial do Emprego 2016: Tendência para a Juventude, preparado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrou que o desemprego global entre os jovens deve atingir 71 milhões este ano, indicando uma tendência de alta.
Segundo o documento, o índice de desemprego desse grupo deve chegar a 13,1% em 2016 e se manter nesse nível até o ano que vem. Em 2015, a taxa foi de 12,9%.
O diretor do escritório da OIT em Nova York, Vinícius Pinheiro, falou sobre a situação no Brasil.
"No Brasil, por exemplo, 40% dos jovens estão em empregos informais. O que é fundamental é que o desemprego é somente a ponta do iceberg. Por exemplo, no mundo, aqueles que têm o privilégio de ter um emprego, 38% ganham menos do que US$ 1,90 por dia, que é o patamar inferior à linha de pobreza. E os jovens também estão mais propenso a empregos precários e empregos temporários."
O relatório da OIT diz ainda que 156 milhões, ou 37,7% dos jovens trabalhadores vivem em pobreza extrema ou moderada, comparado com 26% dos adultos.
Segundo a agência da ONU, "o alarmante crescimento do desemprego nesse grupo e os níveis preocupantes dos jovens que trabalham mas ainda vivem na pobreza representam a dificuldade para se atingir o objetivo de acabar com a pobreza até 2030".
Homens e Mulheres
O documento mostra ainda grande disparidade entre a participação de jovens, homens e mulheres, no mercado de trabalho.
No caso dos homens, essa participação chega a 53,9%, e em relação às mulheres, apenas 37,3%, uma diferença de mais de 16 pontos percentuais.
O desafio é ainda maior no sul da Ásia, no Oriente Médio e no norte da África, onde a presença feminina no mercado de trabalho varia entre 30% e 32%.
A previsão do desemprego somente na América Latina e no Caribe deve chegar a 17,1% em 2017, o que representa 9,3 milhões de jovens.
A situação também motiva a migração. No mundo, em média, 20% dos jovens entre 15 e 29 anos disseram que estão dispostos a ir para outros países permanentemente.
Mas esse índice é muito maior se analisado por regiões, por exemplo, na América Latina e no Caribe e na África Subsaariana, a taxa sobe para 38%, seguida de perto pelos jovens do leste europeu, com 37%.
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