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Dia das Crianças traz nostalgia à tona

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Dia das Crianças traz nostalgia à tona

Ser criança é a melhor fase da vida, não existem preocupações nem reponsabilidades, apenas brincar, brincar e brincar. Criança precisa ser criança, viver esse momento com intensidade e comemorar a data destinada a elas nesta quarta-feira (12) talvez seja uma grande demonstração de que não importa quanto o tempo passe, tampouco a idade, todos levam consigo uma boa lembrança desse momento.

O Dia das Crianças movimenta o comércio local e nacional por completo, talvez fique atrás apenas do Dia das Mães e do Natal. Antigamente as bolinhas de gude, ioiôs, estilingues e bonecas de pano faziam sucesso. Atualmente, esses mesmos brinquedos, que ainda encontrados nas prateleiras, estão sendo trocados por jogos eletrônicos, celulares e aparelhos compactos de multimídia (ipods, tablets, notebooks...)

De acordo com a Federação do Comércio (Fecomércio), os brasileiros devem movimentar nesta data pouco mais de R$ 920 milhões em compras. Numa média ponderada dos preços mais acessíveis, o valor desses brinquedos está em torno dos R$ 20,61. Em São Paulo, por exemplo, o preço médio dos brinquedos é de R$ 32,35 enquanto que em Brasília os números disparam para R$ 56,86.

Na capital maranhense o comércio varejista aponta um crescimento de 7% nas vendas, é o que afirma a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas de São Luís (CNDL). Em 2010, conforme números do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o varejo registrou alta de 8,50% nas vendas durante o período festivo, em função do ritmo maior de crescimento econômico e uma pressão ainda moderada da inflação.

Este ano a tendência é que a alta nos preços influencie na disposição do brasileiro em consumir produtos mais caros. Em 2010, o gasto médio com presentes foi de R$ 50, e, este ano, seguramente, teremos um valor 25% menor, de R$ 40 para o tíquete médio de vendas. Para acompanhar o ritmo, donos de lojas especializadas neste público renovam estoque apostando tanto nos brinquedos mais modernos, como nos de vanguarda. Bonecas, jogos de tabuleiro, patins e bicicletas ainda são procurados tanto pelas crianças, como pelos pais. Mas, há quem prefira os mais modernos recheados de gráficos e interatividade. Para um gerente de loja de São Luís, os preços são altos e podem variar de R$ 40,00 a R$ 2mil.

Porém, o Dia das Crianças não é apenas comércio, é um momento em que os pais revivem a infância proporcionando aos seus pimpolhos aquilo que tiveram ou gostariam de ter tido. É o caso da jornalista e militante dos direitos humanos, Lissandra Leite. Mãe de dois filhos adolescentes, ela se diverte trazendo de volta a memória da infância humilde, porém muito boa também.

“A minha família nunca teve grandes condições financeiras, então o dia das crianças, natal, aniversário e demais festas eram sempre muito simples. Naquela época, eu e meus irmãos não pedíamos brinquedos, porque geralmente ganhávamos lembrancinhas dos encontros e confraternizações que os nossos pais recebiam. Eles eram servidores públicos e nesse dia do ano, o local de trabalho deles sempre fazia alguma coisa. Por isso, o que viesse era bom do mesmo jeito”, comenta.

Hoje, Lissandra confessa ser fã do jogo “Guitar Hero”, quando um de seus filhos começa a se entreter com o game, ela disputa vez para brincar também.

Há 30 anos os brinquedos típicos eram bicicletas, patins, bolas, como também os jogos de tabuleiro e pecinhas de monta e desmonta (Playmobil, por exemplo). Os mais saudosos criticam a infância dos dias de hoje, vivida por muitas crianças. Segundo a professora do ensino fundamental, Angélica Maria, as brincadeiras eram agitadas, como rouba-bandeira, queimado, pular corda, esconde-esconde. “Não estou desmerecendo a realidade atual, contudo, parece que antigamente a infância era mais vivida, mais aproveitada”, observa.

Parte desse crescimento comercial e revolução nos brinquedos, quem sabe na forma dos pequeninos se divertirem, seja atribuída ao marketing visual e estético dos produtos.

Segundo a publicitária, Juliana Jorge, esse apelo à aparência sempre existiu e continuará existindo. “Nos últimos tempos também percebi uma mudança interessante: as crianças maiores, pré-adolescentes em diante, não querem mais presentes de criança. Elas querem celulares, ipods, notebooks. É uma geração tecnológica, que já nasceu nas redes sociais, com uma nova forma de sociabilidade. Portanto, é natural que sua diversão seja diferente”, finaliza.

 

Redação: Marcos Atahualpa Cartágenes 

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