Dia Mundial do Câncer: batalha contra a doença não será vencida apenas com tratamento, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde está mais uma vez apoiando o Dia Mundial do Câncer, nesta terça-feira (4). A data é promovida pela União Internacional para o Controle do Câncer (Uicc). A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Aipc) que faz parte da OMS, lançou nessa segunda-feira (3) o Relatório Mundial do Câncer 2014, que contou com a colaboração de 250 cientistas de mais de 40 países.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 8,2 milhões de pacientes com câncer morreram em 2012. Neste ano também foram registrados 14 milhões de novos casos de câncer no mundo inteiro. A OMS calcula que esse número deve subir para 22 milhões nas duas próximas décadas e número de mortes também deve aumentar para 13 milhões por ano durante o mesmo período.
Uso de álcool e de tabaco, alimentação inadequada e falta de atividade física estão entre os principais fatores de risco em todo o mundo. Nessa segunda-feira (3), a OMS lançou também um relatório alertando sobre a importância de medidas de prevenção urgentes para evitar uma crise da doença.
Derrubando os Mitos
A agência da ONU afirma que existem mais de 100 tipos da doença, que podem afetar qualquer órgão do corpo. Os casos mais comuns diagnosticados foram o câncer nos pulmões, seguido do câncer de mama e do intestino. Já em relação às mortes, o tipo mais letal da doença foi o câncer dos pulmões, seguido do fígado e do estômago.
O tema do Dia Mundial do Câncer 2014 é "Derrubando os Mitos" e busca reduzir os estigmas sobre a doença. Segundo a Uicc, o primeiro mito é de que não se deve conversar sobre o câncer. A entidade explica ser importante falar abertamente sobre a doença, para que o entendimento sobre o câncer melhore tanto a nível individual quanto político.
Outro mito está ligado aos pacientes que acreditam não ter direito a receber tratamento. Segundo a União, todas as pessoas precisam ter acesso ao tratamento eficaz contra o câncer e igualdade ao receber serviços de saúde.
A Organização Mundial da Saúde alerta que a batalha global contra o câncer não será vencida apenas com tratamentos. Segundo a OMS, são necessárias medidas de prevenção eficazes urgentemente para evitar uma crise da doença.
Prevenção
Em Genebra, um dos autores do documento, o médico Bernard Stewart, afirmou que a prevenção deve ser feita em dois níveis. Ele explicou que são as chamadas prevenções primárias. Segundo ele, deve-se reduzir o contato das pessoas com produtos cancerígenos conhecidos, como o cigarro e a bebida alcoólica. Além disso, é necessário combater os tipos de câncer causados pela exposição ambiental como é o caso da poluição do ar e no ambiente de trabalho.
Stewart disse que os dois problemas podem ser enfrentados com leis e regulamentos. Para ele, os governos devem mostrar compromisso político para avançar com a implementação de exames e programas para detectar a doença ainda nos estágios iniciais. O médico afirmou que esse processo deve ser visto como um investimento e não como um custo.
Mais de 60% dos casos de câncer ocorrem na África, na Ásia e nas Américas Central e do Sul. Essas regiões são responsáveis também por 70% das mortes. Segundo as autoridades, a situação piora pela falta de detecção precoce da doença ou falta de acesso aos tratamentos.
O relatório afirma que o acesso eficaz e acessível aos tratamentos nos países em desenvolvimento, incluindo para as crianças, reduzirá de forma significativa a mortalidade. O documento cita ainda os altos custos dos serviços médicos. Em 2010, por exemplo, o custo econômico global anual para o tratamento do câncer chegou a US$ 1,1 trilhão, mais de R$ 2,6 trilhões.
Para a OMS, o avanço do câncer no mundo inteiro representa um grande obstáculo ao desenvolvimento e ao bem-estar humano. O relatório deixa clara a importância de uma lei adequada para reduzir a exposição e os comportamentos de risco.
O documento cita a Convenção sobre o Controle do Tabaco, que teve o apoio da OMS. O tratado internacional tem sido crucial para reduzir o consumo de produtos derivados do tabaco através de altos impostos e a proibição de propagandas, entre outras medidas.
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