Empresas de download de músicas querem conquistar os usuários de mobiles

A empresa de música digital Spotify, que usa um sistema de música gratuito para atrair pessoas para pagar por assinaturas mais completas, ganhou a aprovação da indústria da música, conseguindo conquistar o mercado de ouvintes que normalmente poderiam utilizar seus computadores para baixar músicas de forma ilegal.
Em sua sombra, um outro serviço, o Muve Music, tem construído uma das maiores bases de assinantes do mercado, indo atrás de uma fatia que as empresas digitais têm ignorado: pessoas que não possuem computadores.
O Muve, um programa para celulares, oferece downloads ilimitados a US$ 10 por mês, escondido discretamente na conta de celular mensal de seus clientes, que varia entre US$ 55 e US $ 65. Em muitos aspectos, seus usuários desafiam o perfil convencional de um consumidor de música digital.
Eles são jovens e urbanos, sim, mas ao invés de utilizar um laptop ou um tablet, eles usam um telefone para tudo. A maioria ganha menos de US$ 35.000 por ano e não possui cartões de crédito, então eles preferem utilizar o plano mensal.
Desde seu lançamento em janeiro de 2011, Muve conseguiu 600.000 usuários, colocando-o no mesmo patamar do Rhapsody, que tem cerca de 1 milhão de assinantes, e doSpotify. (O Spotify tem 4 milhões de usuários pagantes em 15 países, mas não disseram quantos desses estão nos Estados Unidos.) E Muve está pronta para outro surto de crescimento com uma nova linha de telefones que a empresa acredita que poderiam atrair milhões de novos usuários.
Entre as vantagens do Muve, está o fato que seus principais clientes - jovens de minorias urbanas - são alguns dos maiores usuários da Internet em telefones celulares.
De acordo com um estudo realizado em junho pelo Pew Internet, negros e hispânicos são mais propensos do que os brancos a utilizarem o telefone celular como principal meio de acesso a Internet.
Como parte do licenciamento de músicas por parte do Muve, uma parte da taxa de US $ 10 mensal é destinada para os direitos autorais e é dividido entre as gravadoras de acordo com a participação de cada uma em relação aos downloads.
Para gravadoras ansiosas em licenciar suas músicas de todas as formas possíveis, isso equivale a um fluxo de renda estável, mesmo que pequeno comparado com as centenas de milhões de dólares que algumas gravadoras recebem todo ano de gigantes do varejo como o iTunes.
"Explorar estas novas oportunidades e novos métodos de consumo é a única coisa que está permitindo com que a indústria da música consiga lutar contra a pirataria", disse Rob Wells, presidente de negócios digitais globais na Universal Music Group.
Embora o ato de combinar serviços de música digital com os planos de telefone ou Internet tenha se tornado comum em todo o mundo, ainda é relativamente raro nos Estados Unidos. Rhapsody, por exemplo, está disponível como uma sobretaxa de US$ 10 a partir da MetroPCS, outra operadora de pequeno porte que oferece planos mensais sem contratos de longo prazo. Para Cricket, o serviço do Muve, foi promovido através de marketing e em suas lojas, e se tornou uma importante forma de se distinguir dos seus concorrentes.
"Isso está proporcionando uma experiência e mais valor aos clientes", disse S.Douglas Hutcheson, o executivo-chefe da Leap Wireless, outra empresa de telefonia, disse em uma entrevista. "À medida que tentamos encontrar uma maneira de obter o crescimento sustentável, eu acho que nós encontramos uma maneira inovadora e desejável de se fazer isso, que vai além de apenas reduzir os preços."
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