Engenheiros especulam que reforma no interior de um dos edifício provocou desmoronamento no centro do Rio

Os especialistas do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro divulgarão em 5 dias os resultados das análises sobre as causas do desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro. Segundo presidente do clube, Manoel Lape, há 90% de chance de o desastre ter sido provocado por danos na estrutura do prédio maior causados por reformas irregulares.
“É muito cedo para dizer qual foi a causa, mas temos experiência que nos permite apontar a obra que estava sendo feita no prédio como responsável”, disse o presidente.
“Algumas vezes os operários saem quebrando e danificam um pilar, o que é muito grave. Você pode provocar a ruptura de todo um prédio se atingir um pilar. Qualquer obra tem que ter autorização da prefeitura e tem que ter um profissional responsável, o engenheiro que faz o registro no CREA [Conselho Regional de Engenharia e Agronomia]”, explicou Lapa.
O engenheiro disse que não há relação entre a idade do prédio e o acidente, já que existem muitos prédios bem mais antigos e são totalmente seguros, como acontece em cidades européias como Paris. Uma das prioridades dos técnicos é esclarecer os mitos que estão gerando pânico na população sobre as causas que podem levar um prédio a desabar.
A professora da Escola Politécnica da UFRJ e especialista em estruturas Maria Cascão também alertou para os riscos de obras internas. “É extremamente importante que qualquer tipo de reforma ou obra que se faça tenha uma autorização porque, às vezes, a pessoa deixa a responsabilidade a cargo de algum empreiteiro, que não é um engenheiro responsável, e que pode atuar em alguma peça estrutural”.
O professor de engenharia geotécnica da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ Maurício Ehrlich compartilha da opinião de que uma obra mal-feita no interior de um dos edifícios possa ter provocado a tragédia. O edifício não apresentava sinais de deterioração, logo o abalo na estrutura só pode ter sido causado por imprudência na hora da reforma. “Se eu tivesse que apostar, de todas as hipóteses possíveis, acho que essa é a mais provável”, explica.
Os órgãos reguladores e a prefeitura vão acompanhar o trabalho de remoção do entulho. “É quase uma peritagem. É uma verdadeira autópsia”, disse o engenheiro Maurício Ehrlich. Ele revelou que, a pedido do governo fluminense, a Coppe deverá emitir parecer sobre o acidente.
O engenheiro Orlando Sodré, consultor de riscos do Sindicato de Habitação do Rio de Janeiro (Secovi), acompanha o trabalho dos bombeiros em busca de sobreviventes e corpos nos escombros. Segundo ele, o horário da tragédia, pouco depois das 20h30, evitou uma tragédia ainda maior. Para ele, a maior parte das vítimas estava concentrada em dois andares. “Graças a Deus que aconteceu à noite. A maior possibilidade de vitimas é nestes andares, onde tinha pessoal em serviço. Ainda bem que foi neste horário”.
Os proprietários já começam a contar os danos e projetar soluções. Marcos José Marques, presidente da organização não governamental (ONG) Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), que funcionava no Edifício Colombo, passou a manhã reunido com a equipe. “O que a gente está fazendo, com muito esforço, é tentar um planejamento, o mais completo possível, para que se tenha um mínimo de perda. Temos uma série de projetos em curso, então, estamos tentando, na casa de cada funcionário e diretor, recuperar o nosso banco de dados. É tentar minimizar o que a gente sabe que está perdendo”, lamentou.
Agência Brasil
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