Entra em vigor Acordo de Paris sobre mudança climática

O Acordo de Paris sobre mudança climática, adotado em dezembro do ano passado durante a Conferência das Nações Unidas conhecida como COP 21, entra em vigor oficialmente nesta sexta-feira (4).
O documento, considerado um marco, entra em vigor pouco antes da COP 22 que será realizada entre 7 e 18 de novembro no Marrocos.
O acordo estabelece um caminho para que todos os países limitem o aumento da temperatura e fortaleçam a resiliência aos "impactos inevitáveis" da mudança climática.
Para a ONU, a entrada em vigor do Acordo de Paris marca o início de um "novo capítulo para a humanidade" e demonstra que países estão levando a sério sua abordagem à mudança climática.
Para comemorar esse "dia histórico para as pessoas e o planeta", o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou representantes de grupos da sociedade civil para uma conversa na sede da organização, em Nova York.
O encontro será uma oportunidade para que esses grupos contem ao chefe das Nações Unidas suas visões, preocupações e como suas instituições vão contribuir para os objetivos do Acordo de Paris.
A conversa será realizada a partir das 10 da manhã, horário de Nova York, e pode ser acompanhada ao vivo.
Cortar emissões em 1 gigatonelada
A ONU afirmou que os países em desenvolvimento podem reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa em até 1 gigatonelada se a comunidade internacional cumprir as promessas de financiamento.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, o mundo precisa cortar entre 12 e 14 gigatoneladas das emissões de gases previstos para 2030 para limitar o aquecimento global em 2ºC neste século. Uma gigatonelada equivale a 1 bilhão de toneladas.
US$ 100 bilhões
A agência diz que as fontes de energia renováveis e eficientes nos países em desenvolvimento vão evitar a emissão de 0,4 gigatonelada de gases que causam o efeito estufa até 2020.
O Pnuma calcula que esse nível pode chegar a 1 gigatonelada se os países ricos aumentarem os financiamentos para o setor. No ano passado, as nações ricas prometeram disponibilizar US$ 100 bilhões por ano para financiar projetos sobre o clima até 2020.
Só para se ter uma ideia, 1 gigatonelada é o equivalente as emissões geradas por todos os tipos de transporte, inclusive o aéreo, somente na região da União Europeia.
Apoio Internacional
A agência ambiental da ONU afirmou que num período de 10 anos, entre 2005 e 2014, o apoio internacional a projetos de energia renovável e eficiente nos países em desenvolvimento chegou a US$ 76 bilhões, uma média de US$ 7,6 bilhões por ano.
O Pnuma informou que o apoio internacional deu condições ao Marrocos de construir a maior usina eólica da África e que pode se tornar na maior usina de energia solar do mundo.
Em 2018, quando atingir capacidade total, a usina terá condições de fornecer eletricidade para mais de um milhão de pessoas. O Pnuma prevê que, em 2020, o país deve gerar mais de 40% de sua energia de fontes renováveis.
Na China, uma iniciativa multinacional ajudou a reduzir drasticamente reduzir a intensidade energética das principais indústrias do país, resultando na redução de mais de 10 megatoneladas.
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