Especialistas admitem que faltam recursos para ações antiespionagem no Brasil

Em audiência na CPI da Espionagem, especialistas admitem que o Brasil não está preparado para enfrentar a guerra cibernética. O jornalista Glen Greenwald, que publicou denúncias contra o esquema dos Estados Unidos prestará depoimento na próxima semana.
O representante do Centro de Defesa Cibernética do Exército, Samuel da Cruz Júnior (foto), admitiu falta de recursos ao citar que o Ministério da Defesa reserva R$ 400 milhões, metade do necessário, para ações antiespionagem. O general destacou que apesar de algumas iniciativas do governo, o avanço da tecnologia não garante um sistema de segurança inviolável.
Já o professor da Universidade de Brasília, Pedro Rezende, questionou o esvaziamento da Telebrás e a falta de políticas voltadas para a proteção dos dados e o desenvolvimento de tecnologias nacionais. Ele defendeu a criação de uma agência reguladora.
Na próxima semana, a CPI vai ouvir o jornalista Glen Greenwald, que publicou as denúncias do ex-agente Edward Snowden de espionagem dos Estados Unidos.
Marco Civil da Internet
Em audiência pública na comissão de infraestrutura do senado nesta quarta-feira (2), o ministro das comunicações, Paulo Bernardo, defendeu a aprovação do marco civil da internet e a criação de uma agência internacional para regulamentar o setor e evitar o controle do espaço virtual por poucos países e a espionagem.
Para o ministro, a exemplo da Associação Internacional de Transportes Aéreos, IATA, que cuida da navegação aérea no mundo, também deveria ser criada uma agencia internacional para definir regras comuns sobre navegação virtual. Atualmente, 13 servidores básicos compõem a Internet, dez estão nos Estados Unidos, dois na Europa e um no Japão. Paulo Bernardo afirma que uma "concertação internacional", e a aprovação do Marco Civil poderiam ajudar a combater o controle do espaço virtual por poucos.
“Votar o marco civil é absolutamente importante, e a presidenta defendeu na ONU que haja uma espécie de marco civil internacional. Uma governança internacional. Se nós temos para navegação marítima, ou navegação aérea, normas internacionais, organizações internacionais como a IATA, que rege a aviação internacional, por que para navegar na internet nós não temos que ter isso?”, perguntou o ministro.
Paulo Bernardo também criticou o governo dos Estados Unidos pela resposta que considerou "insatisfatória" às denúncias de espionagem. Para ele, os norte-americanos fazem espionagem também empresarial e industrial, numa grave violação dos direitos humanos e liberdades civis.
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