Especialistas temem que a camisinha seja “esquecida” por avanço na medicina

Há jovem que abandona a camisinha por confiar no parceiro fixo, após três semanas completas de relação. O idoso que não pensa em proteção na hora “h”, já que o preservativo pode falir a potência. O adulto que exagera no álcool e transa, desprotegido, seja com outro homem ou com mulher.
Os especialistas temem que este grupo heterogêneo ganhe mais membros. Atualmente, já é numerosa parcela que admite não usar camisinha em todas as relações sexuais, 60%, segundo o último estudo do Ministério da Saúde.
O receio é que o comportamento de risco aumente, caso as informações recentes sobre os avanços do tratamento contra o vírus HIV sejam mal interpretadas pela população. Estas novidades e seus impactos no abandono do preservativo, inclusive, estão sendo discutidos por experts do mundo todo na Conferência Mundial de AIDS, que acontece em Washington (EUA), até a próxima sexta-feira.
“A cautela é porque já enfrentamos isso antes”, afirma a especialista em marketing social do preservativo e fundadora do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton, que organiza caravanas pelo Brasil todo para distribuir camisinhas e explicar como usá-las.
“Há vinte anos, quando a ciência falou, pela primeira vez, que tinha encontrado um caminho para uma vacina preventiva ao HIV, imediatamente sentimos um impacto. Nossos stands de distribuição de preservativos ficaram vazios no dia seguinte da notícia. Na época, precisamos reforçar as campanhas, começar do zero novamente.”
Por este motivo, simultaneamente ao anúncio de duas novidades no mundo da AIDS, o alerta sobre a necessidade de uma nova ofensiva em prol da camisinha foi aceso.
Nesta semana, foi anunciado o avanço na produção de uma vacina protetora ao HIV.
Além disso, os EUA autorizaram o comércio de um medicamento (chamado Truvada) que pode ser tomado antes da exposição ao sexo para diminuir o risco de infecção do vírus da AIDS (por ora, a droga não tem autorização comercial para este fim no Brasil).
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