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Espionagem americana faz Dilma cancelar viagem aos EUA, em outubro; você concorda?

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Espionagem americana faz Dilma cancelar viagem aos EUA, em outubro; você concorda?

A presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar a visita que faria aos Estados Unidos como chefe de Estado,  em outubro, devido ao escândalo provocado pela espionagem americana, feita no Palácio do Planalto, principalmente nas correspondências digitais (internet), telefonemas e documentos transmitidos via rede.

Internamente, assessores e ministros de Dilma discutiram a viagem: o risco de que novas denúncias sejam divulgadas no Brasil ou no exterior afastou a presidente da agenda oficial. Novas denúncias provocariam mais contrangimento durante a visita que estava marcada para o próximo mês.

Na segunda-feira (16), o presidente Barack Obama ligou para Dilma para dizer que não tinha dados consolidados sobre a espionagem feita, no padrão exigido pelo governo brasileiro.

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O escândalo foi divulgado pelo jornalista americano, Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro como correspondente do diário inglês, The Guardian. Ele também vem assinando reportagens de televisão,  que mostram novas provas da espionagem  em rede nacional.

O jornalista já falou sobre o assunto no Congresso (em agosto) e adiantou que havia motivo comercial na espionagem dirigida pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA). O tema era energia e o alvo era a Petrobras, empresa que explora o pré-sal na Bacia de Campos.

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Em nota, divulgada nesta terça-feira (17),  a Presidência da República voltou a criticar a espionagem internacional feita em território brasileiro:

"As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos.

Obama e Dilma devem ter uma agenda privada em Nova York, durante a reunião da Organização das Nações Unidas, na próxima semana, a partir do dia 23.

Em entrevista ao jornal Zero Hora a presidente confirmou que falará sobre espionagem na abertura da reunião da ONU.

Abaixo a íntegra da nota oficial da Presidência da República:

 "A presidenta Dilma Rousseff recebeu ontem, 16 de setembro, telefonema do presidente Barack Obama, dando continuidade ao encontro mantido em São Petersburgo, à margem do G-20, e aos contatos entre o ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado e a assessora de Segurança Nacional Susan Rice.

O governo brasileiro tem presente a importância e a diversidade do relacionamento bilateral, fundado no respeito e na confiança mútua. Temos trabalhado conjuntamente para promover o crescimento econômico e fomentar a geração de emprego e renda. Nossas relações compreendem a cooperação em áreas tão diversas como ciência e tecnologia, educação, energia, comércio e finanças, envolvendo governos, empresas e cidadãos dos dois países.

As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos.

Tendo em conta a proximidade da programada visita de Estado a Washington – e na ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação – não estão dadas as condições para a realização da visita na data anteriormente acordada.

Dessa forma, os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados desta visita não devem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada.

O governo brasileiro confia em que, uma vez resolvida a questão de maneira adequada, a visita de Estado ocorra no mais breve prazo possível, impulsionando a construção de nossa parceria estratégica a patamares ainda mais altos."

O jornal americano Washington Post destacou o cancelamento da viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos, dizendo que  decisão foi política "para satisfazer grupos de brasileiros que se ofenderam muito com a divulgação do escândalo".

Em nota, a Casa Branca falou que "a viagem foi adiada" e que o governo americano "está aberto para a remarcação da agenda quando os dois países decidirem pela melhor data".

 

 

 

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