Espionagem: Canadá investigou ministério de Minas e Energia

Documentos revelados pelo ex-espião americano, Edward Snowden afirmam que, além da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras, o Ministério de Minas e Energia também foi alvo do esquema de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA na sigla em inglês) dos Estados Unidos. A afirmação foi feita na noite deste domingo (6) por um programa de TV.
A comunicação de computadores, telefones fixos e celulares do ministério foi mapeada pelos EUA em parceria com a Agência Canadense de Segurança em Comunicação (CSEC). Segundo os documentos obtidos pelo jornalista, Glenn Greenwald, a operação só detalhava quem falou com quem, quando, onde e como, mas sugeria que o conteúdo das conversas e mensagens seria analisado numa operação posterior.
As informações constam de uma apresentação feita numa conferência de junho do ano passado reunindo analistas das agências de espionagem de cinco países - EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O documento mostra o funcionamento de um programa de espionagem chamado Olympia e usa o Ministério como alvo.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que as ações de espionagem "são graves" e "merecem repúdio". Ele destacou o interesse do Canadá no setor mineral brasileiro.
"Há muitas empresas canadenses que manifestam interesse no país. Se daí vai o interesse em espionagem pra servir empresarialmente a determinados grupos, eu não posso dizer", afirmou.
Segundo a reportagem, de cada quatro grandes empresas de mineração do mundo, três têm sede no Canadá.
Questionado sobre o prejuízo econômico que o sistema de espionagem pode ter causado ao País, Lobão disse que "isso não foi avaliado ainda". Os servidores espionados eram usados para conversas sigilosas com órgãos como a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Petrobras, a Eletrobrás, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e a presidente Dilma Rousseff.
Para o ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, as informações podem servir a empresas interessadas em concorrer aos leilões do pré-sal, por exemplo.
"Isso pode dar uma vantagem competitiva a quem espiona", afirmou.
Marco Civil brasileiro
A presidente Dilma Rousseff reativou sua conta no Twitter na semana passada e já fez algumas postagens. Neste domingo (6) ela aproveitou a rede social e disse que assim que for aprovado pelos parlamentares, o projeto do Marco Civil da Internet no Brasil será enviado como proposta à Organização das Nações Unidas (ONU). Ela se mostrou confiante na aprovação do projeto nas “próximas semanas”.
No último dia 24, Dilma participou da abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York (Estados Unidos), em que criticou a espionagem de cidadãos e autoridades, como a promovida por agências norte-americanas, e defendeu a adoção de medidas que impeçam essas ações. Para ela, é essencial a criação de uma governança global para a internet.
Dilma reiterou sua indignação com a espionagem de dados privados de brasileiros.
“Denunciei o caso na ONU em defesa dos direitos humanos e de nossa soberania. Exigimos explicações e mudanças de comportamento por parte dos americanos”, lembrou no Twitter.
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