EUA, Rússia e ONU não chegam a consenso sobre conferência para Síria

Uma conferência internacional de paz para a Síria, que deveria ocorrer ainda este mês de novembro, está agora sem data para acontecer. Segundo o enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Lakhdar Brahimi (foto), após um encontro trilateral com Rússia e Estados Unidos, uma data exata não pôde ser confirmada. Mas Brahimi disse esperar que a conferência seja realizada antes do fim deste ano.
Brahimi fez a declaração nesta terça-feira (5), na sede da ONU em Genebra. Na cidade, ele participou de várias reuniões com representantes dos países vizinhos da Síria e de agências humanitárias da ONU. Lakhdar Brahimi contou que o Secretário-Geral Ban Ki-moon está "impaciente" sobre a realização da conferência de paz por causa da grave situação humanitária no país.
O enviado especial voltou a dizer que não existe solução militar para a Síria e que a saída da crise é por via diplomática. Ele afirmou ainda que nem o governo sírio nem a oposição têm condições de ganhar a guerra.
Ainda nesta terça (5), agências humanitárias informaram a Brahimi que cerca de 6 mil sírios estão fugindo todos os dias para as nações que fazem fronteira com o país. A ONU acredita que 9 milhões de pessoas tenham sido afetadas pela violência.
Em janeiro, o Secretário-Geral e o Governo do Kwait vão organizar uma segunda conferência com doadores para a Síria. Lakhdar Brahimi encerrou sua declaração informando que haverá um novo encontro dele com representantes da Rússia e dos Estados Unidos no próximo dia 25 de novembro.
Ele disse esperar que até lá, integrantes da oposição síria tenham formado o que ele chamou de uma "delegação crível" para se fazer representar na Conferência Genebra 2. Os organizadores esperam que tanto o governo como a oposição estejam presentes para negociar uma saída para o conflito que já matou mais de 100 mil pessoas.
Assistência Humanitária
O Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, alertou que 9,3 milhões de sírios precisam de assistência humanitária. Segundo a agência da ONU, desse total, 6,5 milhões são deslocados internos. Eles tiveram de fugir de suas casas por causa da violência, mas continuam vivendo na Síria.
Em junho, os dados do Ocha mostravam que 6,8 milhões necessitavam de ajuda humanitária e os deslocados internos eram 4,2 milhões. Houve um aumento de mais de 30% em 4 meses. Para a agência da ONU, esses números devem subir ainda mais sem uma solução política para o conflito.
Apesar das dificuldades de acesso na Síria, as agências das Nações Unidas conseguiram enviar 34 comboios com ajuda humanitária para áreas controladas pela oposição para atender 2,4 milhões. Além das 15 agências da ONU que trabalham na Síria, mais 15 ONGs internacionais participam dos esforços humanitários no país.
Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
Colabore com a redação