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Filho do cineasta Eduardo Coutinho diz na Justiça que matou pai por impulso

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Filho do cineasta Eduardo Coutinho diz na Justiça que matou pai por impulso

O filho do cineasta e documentarista Eduardo Coutinho (foto), morto em fevereiro deste ano, Daniel de Oliveira Coutinho, foi ouvido nessa quarta-feira (2) no 1º Tribunal do Juri do Rio de Janeiro, e disse que agiu por impulso ao matar o pai. Ele foi preso em flagrante, e responde pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio, pois também tentou matar a mãe, Maria das Dores Coutinho.

Daniel confirmou ao juiz Fábio Uchôa ter esfaqueado os pais, por impulso. Contou que sofria de síndrome do pânico e que, por intuição, raspou a cabeça dias antes do crime. Nela, teria percebido uma inscrição, a sequência de números 666. A partir daí, disse ter sido tomado por uma obsessão espiritual e, apesar de amar muito seus pais, resolveu matá-los por medo de lhes acontecer algum mal.

Antes do depoimento do acusado, foi ouvida outra testemunha do processo: o porteiro do prédio onde morava a família, José Roberto do Nascimento. O delegado Rivaldo Barbosa, da Delegacia de Homicídios, não compareceu à audiência. Com as oitivas de hoje, a fase de instrução processual está encerrada. Os autos aguardam, agora, pela juntada do laudo do exame de sanidade mental de Daniel Coutinho. As informações foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Eduardo Coutinho era o cineasta brasileiro de maior referência no documentário. Jornalista de formação, dedicou boa parte de sua vida profissional a documentar a vida de pessoas comuns.

Um de seus filmes mais memoráveis é o Edifício Master (2002), que conta a história dos moradores de um condomínio carioca, distantes do glamour  dos prédios milionários.

Em 1964, Coutinho decide filmar a vida do líder camponês João Pedro Teixeira, morto pela repressão. Inicialmente, a ideia era fazer uma ficcão. Ao final, a narrativa histórica revoluciona o documentário brasileiro em Cabra Marcado para Morrer.  Pressionado pelas forças de segurança, que cercaram os engenhos onde eram gravadas as cenas,  Coutinho interrrompe o trabalho de ficcão por 20 anos. Retoma em 1984, e lança o documentário em 1985, com o fim do regime militar.

O último filme de Coutinho foi Canções, que mostra a vida das pessoas que vivem da música.

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