Filho mata o cineasta Eduardo Coutinho a facadas, afirma delegado

O chefe da Divisão de Homicidios do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, disse não ter dúvidas de que o cineasta Eduardo Coutinho, o maior documentarista brasileiro, foi morto a facadas pelo próprio filho, Daniel, de 42 anos. O rapaz, que mora com os pais, atacou também a mãe, Maria das Dores Coutinho, que está internada com ferimentos graves pelo corpo.
Após o ataque, Daniel teria se ferido com a mesma faca e foi bater na porta de um vizinho. Daniel não conseguiu matar a mãe porque ela se trancou no banheiro da casa, no bairro da Lagoa, Zona Sul, do Rio de Janeiro.
“O rapaz procurou um vizinho, dizendo que havia libertado o pai e demonstrava que não estava concatenado”, disse o delegado Barbosa, no começo da noite de domingo.
O crime aconteceu no domingo, na por volta do meio dia. Daniel foi internado mas já está preso em flagrante. Como é esquizofrênico, segundo a polícia, caberá à Justiça decidir se irá a julgamento.
O mestre
Eduardo Coutinho era o cineasta brasileiro de maior referência no documentário. Jornalista de formação, dedicou boa parte de sua vida profissional a documentar a vida de pessoas comuns.
Um de seus filmes mais memoráveis é o Edifício Master (2002), que conta a história dos moradores de um condomínio carioca, distantes do glamour dos prédios milionários.
Em 1964, Coutinho decide filmar a vida do líder camponês João Pedro Teixeira, morto pela repressão. Inicialmente, a ideia era fazer uma ficcão. Ao final, a narrativa histórica revoluciona o documentário brasileiro em Cabra Marcado para Morrer. Pressionado pelas forças de segurança, que cercaram os engenhos onde eram gravadas as cenas, Coutinho interrrompe o trabalho de ficcão por 20 anos. Retoma em 1984, e lança o documentário em 1985, com o fim do regime militar.
O último filme de Coutinho foi Canções, que mostra a vida das pessoas que vivem da música.
Veja abaixo o filme completo Cabra Marcado para Morrer, cuja filmagem foi interrompida em 1964, quando o golpe militar instalou uma ditadura que duraria 21 anos, no Brasil. A narração é do poeta maranhense, Ferreira Goulart.
O filme foi postado na mídias sociais por CraBastos, junto com um texto de apoio que narra como era difícil contar a história das Ligas Camponesas do nordeste brasileiro, contra os latifundiários. O SuaCidade rende uma homenagem a Coutinho, republicando o texto do cinéfilo:
"Filme documentário, Cabra Marcado para Morrer foi dirigido por Eduardo Coutinho inicialmente em fevereiro1964, sendo obrigado a interromper as filmagens devido ao golpe militar de 31 de março, quando as forças militares cercam a locação no engenho da Galiléia. Vinte anos depois, em 1984, retoma o projeto, seu lançamento foi no ano seguinte em 1985.
(O filme) Conta história das Ligas Camponesas de Galiléia e de Sapé além da vida de João Pedro Teixeira que era um líder camponês da Paraíba assassinado a mando de latifundiários de Pernambuco em 1962.
Através de depoimento da viúva Elizabeth Teixeira, de seus filhos e de camponeses que presenciaram a história, coletou informações para o documentário. O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar.
TÍTULO DO FILME: CABRA MARCADO PARA MORRER (Brasil, 1984) DIREÇÃO: Eduardo Coutinho
ELENCO: Elisabeth Teixeira e família, João Virgínio da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco). Narração de Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho. 120 min"
Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
Colabore com a redação