Fim de era: dono da Amazon.com compra jornal Washington Post por US$ 250 milhões

Em menos de 90 dias, o empresário Jeff Bezos decidiu comprar um dos maiores monumentos vivos do jornalismo moderno: The Washington Post, fundado em 1871 pelo democrata independente Stilson Hutchins. Desde 1933, o jornal mais importante dos Estados Unidos vinha sendo dirigido pela família Graham. A contabilidade tirou os Grahams do negócio, após sete anos consecutivos de perda de faturamento.
Sem um boa plataforma comercial digital, o jornalismo impresso em papel parece estar mesmo com os dias contados.
O currículo de Bezos poderia ser reduzido a uma linha: ele inventou o e commerce, a venda pela internet, ao criar a Amazon.com. Depois, sofreu muito para transformar livros de papel em peças digitais, lançando o Kindle, o tablet para leitura de livros vendidos a preço baixo pela Amazon. Fazendo coisas complicadas de maneira simples, o empresário acumulou US$ 25 bilhões.
Antes de o mundo saber que Jeff Bezos havia comprado o tradicional jornal americano por US$ 250 milhões, o chefe do Washington Post reuniu a redação e deu a notícia, em primeira mão.
“Poderíamos tentar sobreviver, mas buscamos uma solução que fosse boa para o Post”, explicou Donald Graham, a um repórter da TV WP, que postou o vídeo no site da empresa. “O jornalismo mudou, nós mudamos e, agora, Jeff Bezos pode nos guiar nesse novo cenário de tecnologia digital. Vou usar a frase dele: venha conosco, experimente e veremos como isso funcionará”.
O negócio deve ser concluído nos próximos 60 dias. Por um ano, todos os gestores de departamento do WP continuarão em seus cargos. Depois disso, ninguém está garantido, nem os Graham (que deverão ser os primeiros a se afastar dos escritórios executivos).
O novo dono da empresa conversou diretamente com os funcionários do WP, anunciando que usará sua ferramenta favorita para revitalizar a empresa, garantindo que não mudará os princípios do jornalismo praticado pelos profissionais da casa.
“A internet mudou o jornalismo. Temos de inventar nosso caminho. Não existe mapa seguro, temos de fazer nosso caminho. A possibilidade de inventarmos um novo modelo de negócio me convenceu a fechar essa compra”, disse Bezos.
A Amazon.com não participou da compra do jornal que ganhou fama mundial ao revelar o escândalo do Watergate, que levou o ex-presidente americano Richard Nixon à renuncia nos anos 1970. O caso pode ser “revisto” no filme Os Homens do Presidente, estrelado por Robert Redford.
Especula-se que os acionistas da Amazon.com não premitiriam uma aventura com o essa de aquisição do WP, à vista. Bezos comprou sozinho. O risco é dele, os lucros serão da Amazon.
Os principais jornais americanos devem mudar de donos nos próximos dias ou meses. O primeiro grande a ser vendido foi o New York Times, em meio à crise financeira e de credibiidade, após a invasão das tropas americanas no Iraque de Saddam Houssein.
No último fim de semana, o Boston Globe foi negociado e, em Los Angeles, manifestantes libertários condenam a venda provável do Los Angeles Times para o grupo conservador Koch Brothers, que atua em refinarias e empresas de energia.
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