Garotinho entrega 68 kg de documentos à CPI do Cachoeira

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) entregou nesta terça-feira cerca de 68 kg de documentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (mista) do Cachoeira. Segundo o parlamentar, o material apresenta "provas contundentes" da relação entre o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e a empresa Delta, apontada pela Polícia Federal como integrante de um esquema corrupto do qual Cachoeira também faz parte.
"O governo do Rio de Janeiro favoreceu a Delta em pagamentos superfaturados, em licitações fraudulentas e obras que foram pagas e não foram realizadas. São documentos oficiais e que vão ser disponibilizadas a todos os membros da CPI", declarou Garotinho em vídeo postado em seu blog.
O deputado entregou a pilha de documentos por volta do meio-dia. Os papéis ficarão guardados na sala do cofre, onde também ficam os documentos secretos da comissão. De acordo com a assessoria da CPI, o material não é sigiloso e será escaneado e disponibilizado na internet assim que possível.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.
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