Governo discute com CBF e clubes campanha de combate ao racismo no futebol

O ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência, Carlos Alberto Júnior, informou que o órgão buscou contato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para aprimorar a campanha "Somos Iguais", de combate ao preconceito, lançada pela entidade esportiva em abril deste ano.
Segundo Carlos Alberto Júnior, que participou nesta segunda (17) de audiência na Comissão de Direitos Humanos (CDH) sobre o racismo no futebol, uma das propostas analisadas é criar uma ferramenta, possivelmente um aplicativo de internet, para que o torcedor denuncie caos de racismo na hora em que ocorrerem, dentro ou fora dos estádios.
O secretário também chamou atenção para a pouca presença de negros na direção e no comando técnico dos clubes de futebol no Brasil. Dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, lembrou ele, apenas o Fluminense tem um treinador negro (Cristóvão Borges) e, na maioria dos casos, os afrodescendentes exercem funções de apoio, sem protagonismo, o que não reflete a diversidade do país.
Deise Benedito, assessora da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, defendeu o envolvimento direto dos clubes em ações de responsabilidade social e sugeriu que os times brasileiros adotem em seus uniformes ao longo de novembro, mês da consciência negra, frases contra o racismo. Ela entende que os clubes devem assumir compromissos pelo fim da discriminação no futebol. Na opinião de Deise Benedito, o racismo ainda ocorre devido à certeza da impunidade. Todavia, ponderou, a prisão não é a melhor alternativa:
O vice-presidente do Grêmio, Adalberto Preis, disse que o clube foi injustiçado no caso de preconceito racial contra o goleiro Aranha, do Santos. Na opinião do dirigente, quiseram imputar a responsabilidade e a característica de racista ao clube, que tem tradição de ser multirracial, como ressaltou.
O dirigente lembrou que, de um público de 32 mil pessoas presentes no estádio em 28 de agosto, quatro torcedores foram indiciados em inquérito policial e denunciados à Justiça.
Adalberto Preis acrescentou que o Grêmio é o único clube no Brasil que tem estatutariamente uma estrela dourada em sua bandeira, representando o jogador negro Everaldo Marques da Silva, campeão mundial pela seleção brasileira em 1970. Além disso, acrescentou, o autor do hino do clube é um negro: Lupicínio Rodrigues.
O advogado Ronaldo Ferreira Tolentino, da Comissão Especial de Direito Esportivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), lembrou que a legislação estabelece que o time é responsável pelas atitudes de seus torcedores em seu estádio, daí a punição à agremiação gaúcha.
A audiência foi presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram o diretor Regional dos Consulados do Internacional, Alexandre Santos e o diretor institucional da Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj), José Carlos Torves.
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