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Greenpeace suspende bloqueio a navio à espera de decisão

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Greenpeace suspende bloqueio a navio à espera de decisão

 Depois de dez dias bloqueando a âncora do Clipper Hope para impedir que o navio fosse carregado com ferro gusa no porto de Itaqui, em São Luís (MA), ativistas do Greenpeace suspenderam a ação nesta quinta-feira, esperando por resultados positivos em audiência pública de hoje em Brasília.

A reunião com representantes do governo e da indústria do gusa foi convocada pela Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, após denúncias de ilegalidades no setor. Às 10h, a última ativista pendurada à âncora, Elissama Menezes, 20, voltou para o Rainbow Warrior.

“Estamos dando tempo para que as autoridades e a indústria possam agir. Mas vamos continuar por aqui, a espera de resultados concretos”, afirmou Adario. “Exigimos que providências sejam tomadas por parte das empresas que consomem carvão vegetal da Amazônia para produzir gusa. Elas precisam ter um sistema de rastreamento de fornecedores para garantir que carvoarias que cometem crimes ambientais e trabalhistas fiquem de fora de sua cadeia de produção.”

O bloqueio ao navio cargueiro teve início no dia 14 de maio. Nesse mesmo dia, o Greenpeace divulgou o relatório “Carvoaria Amazônia”. Resultado de dois anos de investigação, o documento mostra como a produção de carvão vegetal na região de Carajás está associada à extração ilegal de madeira, uso de trabalho análogo ao escravo e invasão de terras indígenas.

O carvão é elemento fundamental na produção de ferro gusa. Este, por sua vez, é principalmente exportado para os Estados Unidos, onde vira aço para a produção de veículos por grandes montadoras.

Na semana passada, o Greenpeace protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal do Maranhão, que abrirá uma investigação sobre os indícios apontados no relatório.

A bordo do navio Rainbow Warrior, o Greenpeace iniciou uma expedição pelo Brasil em abril, quando lançou uma campanha nacional pelo Desmatamento Zero. Movimentos sociais – como Via Campesina e vários sindicatos de trabalhadores rurais da Amazônia –, movimentos indígenas, ONGs e artistas já expressaram publicamente seu apoio.

Assim como a sociedade civil, em geral: em pouco mais de um mês, quase 280 mil pessoas já assinaram a petição por uma lei de iniciativa popular pelo fim do desmatamento no país. Quando 1,4 milhão de assinaturas forem recolhidas, o projeto será encaminhado ao Congresso.

Ascom Greenpeace

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