Guerra na Síria: oposição denuncia outro ataque químico; Assad diz que não há provas

A Coalizão Nacional Síria (CNFROS), principal aliança de oposição, denunciou nesse domingo (8) que o regime de Damasco realizou recentemente um ataque com “gás estranho” na capital e bombardeou uma hidrelétrica no rio Eufrates em Deir ez Zor, no leste do país.
O uso de gás teria acontecido durante um ataque do Exército no sábado (7) contra regiões residenciais do bairro de Al Qabun, segundo a CNFROS, que não informou se houve vítimas.
A ativista imã al Huda, moradora da periferia de Damasco, disse que o Exército empregou em Al Qabun bombas de cloro, misturada a outros componentes.
Segundo ela, estas bombas não têm material químico e não representam perigo, embora causem paralisias e irritação nos olhos.
O regime utiliza estas bombas para obrigar os rebeldes a se retirarem, já que não pode atacar Al Qabun com artilharia pesada pela região estar muito próxima do centro de Damasco.
O porta-voz da ONU em Damasco, Khaled Masri, afirmou ter conhecimento desta denúncia, mas que não conseguiram confirmá-la, em um momento no qual o suposto uso de armas químicas pelo regime é utilizado para justificar uma intervenção militar estrangeira.
Quanto à hidrelétrica no Eufrates, a maior da Síria, a CNFROS explicou que as Forças Aéreas lançaram barris com explosivos no local. A coalizão advertiu em comunicado que este bombardeio abre um 'perigoso precedente' e põe em perigo a vida de milhares de pessoas.
“Depois do uso de armas químicas, (o presidente Bashar) Al-Assad embarca em outro desastre humanitário. Se a hidrelétrica for derrubada pelos bombardeios, milhares de pessoas, se não milhões, podem perder a vidas”, denunciou.
A guerra civil na Síria, que começou em 2011, causou mais de cem mil mortos, dois milhões de refugiados e 4,2 milhões de deslocados internos, segundo dados da ONU.
O presidente da Síria, Bashar al Assad, negou ter usado armas químicas e analisa “de perto” a evolução dos eventos em Washington, afirmou neste domingo (8) o jornalista Charlie Rose ao antecipar uma entrevista com o governante em Damasco.
Assad, acrescentou Rose, “negou ter ligação” com o suposto ataque com armas químicas do dia 21 de agosto nos subúrbios de Damasco. Além disso, o presidente sírio evitou confirmar se tem acesso a ou não a armas químicas.
“Não há evidência de que eu tenha utilizado armas químicas contra meu próprio povo”, afirmou Assad na entrevista.
“(O presidente sírio) tinha uma mensagem para o povo americano de que não tinha sido uma boa experiência para eles o envolvimento em guerras e conflitos no Oriente Médio, e que os resultados não tinham sido bons”, afirmou Rose.
Por isso, Assad pediu “aos americanos a comunicar ao Congresso e a seus líderes em Washington que não autorizem um ataque”.
A entrevista na íntegra será emitida nesta segunda-feira (9) no programa “The Charlie Rose Show”, da rede PBS, no mesmo dia em que Obama deve conceder uma rodada de entrevistas a diversos canais americanos para insistir na necessidade de uma ação militar limitada na Síria.
Com informações da Agência EFE.
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