Insegurança pública ameaça desenvolvimento socioeconômico na América Latina

As Nações Unidas afirmaram que o desenvolvimento socioeconômico da América Latina está sendo ameaçado pelas altas taxas de insegurança pública na região. A constatação é parte do Relatório Regional de Desenvolvimento Humano 2013-2014, divulgado nesta terça-feira (12), em Nova York. O documento recomenda prevenção e reformas institucionais, além de um acordo nacional de longo prazo para combater a criminalidade.
Os especialistas do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, disseram que medidas de controle por si só não bastam, e que os países da região devem criar melhores condições de vida para a população como parte da estratégia para resolver o problema.
O diretor para América Latina e Caribe do Pnud, Heraldo Muñoz (foto), afirmou que a a América Latina é a região mais violenta do mundo em termos de homicídios e roubos.
Para o Pnud, existe um paradoxo na América Latina. Ao mesmo tempo em que a região registra crescimento econômico e o combate à pobreza, ela sofre um aumento nas taxas de criminalidade.
Apesar dos ganhos, a América Latina continua sendo a região mais desigual e insegura do mundo. Enquanto em outras áreas, os níveis de homicídios caem, na América Latina são mais de 100 mil assassinatos por ano. De 2000 a 2010, os países latino-americanos perderam mais de 1 milhão de pessoas nesse tipo de crime.
Em 11 dos 18 países analisados, as taxas são mais altas que 10 homicídios por 100 mil habitantes. Um número considerado epidêmico. A percepção da segurança também piorou com a quantidade de roubos triplicando nos últimos 25 anos.
A chefe do Pnud, Helen Clark, afirmou que sem paz não pode haver desenvolvimento. Ela lembrou que a segurança é um motivo de preocupação para vários decisores políticos e que reflete também em campanhas eleitorais.
O especialista do Pnud, Heraldo Muñoz, afirmou que não há "solução mágica" para a insegurança latino-americana e que este é um problema sério que tem de ser resolvido com visão e vontade política a longo prazo.
Para ele, cada país precisa produzir um acordo nacional de segurança pública entre o governo, partidos políticos e a sociedade civil.
Ameaças
O relatório focalizou-se em seis ameaças de impacto negativo para a América Latina: crimes de rua, violência e crimes cometidos por e contra jovens, violência de gênero, corrupção e apropriação indevida de bens públicos, violência cometida por atores do Estado e o crime organizado.
O relatório criticou ainda o que chamou de políticas de "mão de ferro" que não funcionam na região. O documento revela que em áreas, onde a repressão policial é forte, as taxas de criminalidade tendem a subir. Uma outra causa são as deficiências no sistema escolar e as mudanças na estrutura familiar latino-americana. A combinação de drogas, álcool e armas também forma uma ameaça letal à segurança.
Assassinato de Jovens
Os latino-americanos jovens especialmente os do sexo masculino são os mais afetados pela criminalidade e violência, eles também são os maiores autores desses crimes. Os mais altos índices de assassinatos de jovens estão em El Salvador (92,3%), Colômbia (73,4%), Venezuela (64,2%), Guatemala (55,4%) e Brasil (51,6%) por 100 mil habitantes.
As taxas de violência doméstica, estupros e assassinatos de mulheres também aumentaram em quase todos os países pesquisados. Pelo menos 75% dos autores de crimes sexuais entrevistados nas prisões disseram que conheciam as vítimas antes de atacá-las. E entre 20% e 40% eram pessoas da mesma família.
Com informações da Rádio Onu.
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