Jair Bolsonaro é eleito presidente da República

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) foi eleito neste domingo (28) presidente do Brasil. A confirmação veio às 19h22, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia apurado 94,44% das urnas em todo o País. Até esse momento, Bolsonaro tinha 55,54% dos votos válidos, contra 44,46% dados ao seu adversário, Fernando Haddad (PT).
Às 22h30, com 99,99% das urnas apuradas, Bolsonaro tinha 57,8 milhões de votos (55,3% dos votos válidos); e Haddad, 47,03 milhões de votos (44,87% dos votos válidos). No primeiro turno, ocorrido no último dia 7, Bolsonaro obteve 46,03% dos votos válidos e Haddad 29,28%.
O novo presidente, que vai substituir Michel Temer, toma posse no dia 1º de janeiro de 2019 em solenidade no Congresso Nacional. O vice-presidente eleito é o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB).
Após a confirmação da eleição, Bolsonaro fez pronunciamento em sua residência no Rio de Janeiro, divulgado em rede social, em que citou a Bíblia, criticou a esquerda e disse que governará ao lado da Constituição. Ele também agradeceu aos médicos que cuidaram de sua saúde após o atentando à faca que sofreu em 6 de setembro.
Em São Paulo, Haddad agradeceu seus eleitores e disse que vai defender o pensamento e as liberdades desses brasileiros. Ele prometeu oposição pela democracia, em um momento no qual as "instituições são colocadas à prova a todo instante".
A vitória confirma todas as pesquisas de intenção de voto, que apontavam Bolsonaro com ampla vantagem sobre Haddad e menor rejeição do que o petista. No primeiro turno, ele obteve quase 50 milhões de votos e avançou em primeiro lugar para a disputa final.
Esta é somente a segunda vez, no período republicano, que um deputado federal é eleito presidente da República no curso do mandato. O primeiro foi Jânio Quadros, eleito para o Planalto em 1960, quando era deputado pelo Paraná.
O plano de governo de Bolsonaro propõe uma agenda conservadora nos costumes, com ênfase na segurança pública, e liberal na economia, com promessas de reduzir os gastos públicos.
PERFIL
O deputado federal Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, disputou pela primeira vez a Presidência da República. Capitão reformado do Exército, ele iniciou a trajetória política como vereador no Rio de Janeiro, em 1989. Em 1991, assumiu uma vaga na Câmara dos Deputados e foi reeleito desde então, encontrando-se no sétimo mandato.
Nesse período, passou por diversos partidos, até a filiação ao PSL em março deste ano, como parte da estratégia para disputar a Presidência da República. O programa de governo de Bolsonaro propõe uma agenda conservadora nos costumes e liberal na economia. Para a campanha de 2018, declarou um patrimônio pessoal de R$ 2,2 milhões.
ATENTADO
Durante um ato de campanha no dia 6 de setembro, Bolsonaro foi esfaqueado na região do abdômen durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). O atentado perfurou o intestino grosso e delgado e fez com o que o candidato perdesse 2,5 litros de sangue.
Após passar mais de 24 dias internado, o pesselista recebeu alta e foi para o Rio de Janeiro se recuperar em casa, de onde centralizou a reta final da campanha e gravou alguns dos vídeos apresentados no horário eleitoral.
TRANSIÇÃO
A partir de agora, o presidente eleito deverá iniciar as negociações para formar o governo e conseguir montar uma base de apoio parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado. Na Câmara, seu partido obteve 52 cadeiras, número que o coloca como segunda força da Casa – atrás apenas do PT, com 56 deputados. A Câmara tem 513 deputados.
Além do trabalho político de costura do novo governo e da maioria parlamentar, Bolsonaro deverá montar uma equipe para fazer a ponte entre o governo que está deixando o Palácio do Planalto e o dele. A Lei 10.609/02 autoriza o candidato eleito a instituir uma equipe de transição, formada por até 50 membros.
A equipe tem o objetivo de se inteirar do funcionamento dos órgãos que compõem a administração pública federal e preparar os atos a serem editados imediatamente após a posse.
O governo Temer já anunciou que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, será o responsável por centralizar as informações e fazer a interlocução com o novo governo.
Haddad
Com 45 milhões de votos, Fernando Haddad sai derrotado da campanha. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, Haddad é professor universitário e foi ministro da Educação durante o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Também foi prefeito de São Paulo de 2013 a 2016, ano em que tentou a reeleição.
Ele assumiu a candidatura em 11 de setembro, em substituição ao ex-presidente Lula, que foi lançado pelo PT apesar de estar preso sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e barrado pela Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135, de 2010). O patrimônio pessoal declarado do candidato foi R$ 430 mil e sua vice foi a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila (PCdoB).
PRIMEIRO TURNO
No primeiro turno, no dia 7 de outubro, Bolsonaro teve 46,1% dos votos válidos e Haddad 29,2%. Bolsonaro venceu em 16 estados e no Distrito Federal. Haddad ganhou em 9 estados, a maioria no Nordeste.
Desde a redemocratização, houve segundo turno nas eleições para presidente da República de 1989, 2002, 2006, 2010 e 2014. Nas eleições de 1994 e 1998, o presidente foi eleito no primeiro turno (Fernando Henrique Cardoso).
ELEIÇÕES 2018
Neste domingo, 28 de outubro, 147.306.275 eleitores brasileiros foram às urnas escolher, em segundo turno, o presidente da República, os governadores de 13 estados mais o Distrito Federal e os novos prefeitos e vice-prefeitos de 19 municípios onde ocorrerão eleições suplementares. O mesmo ocorreu em 99 países no exterior. De acordo com os dados do TSE, 500.727 eleitores brasileiros residentes no exterior estão aptos a votar em 171 localidades eleitorais de 99 países para eleger o presidente da República neste segundo turno.
As Eleições 2018 devem mobilizar cerca de dois milhões de mesários em todo o país, tendo a metade deles se oferecido para o trabalho de maneira voluntária. O mesário é o representante da Justiça Eleitoral na seção de votação. Cabe a ele receber e identificar os eleitores – seja pela verificação de documentos e coleta de assinaturas, seja pela verificação biométrica –, compor as mesas de votos e justificativas, fiscalizar e desempenhar tarefas logísticas e de organização da seção para a qual foi designado.
O eleitor que atua como mesário, além de contribuir para a realização das eleições, tem direito à dispensa do serviço pelo dobro de dias e ao desempate em concursos da Justiça Eleitoral, quando prevista essa possibilidade no edital.
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