Judocas refugiados encantam plateia da Rio 2016 e traçam planos para o futuro

Em mais um dia de competições nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados segue cativando o público, mesmo sem avançar nas disputas por uma medalha. Na quarta-feira (10), as atenções se concentraram na estreia dos judocas congoleses Yolande Mabika e Popole Misenga, que vivem no Rio de Janeiro e levantaram a torcida na Arena Carioca do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
Disputando a categoria 90 kq masculino, Popole foi ovacionado ao vencer por pontos o indiano Avtar Singh. Na segunda rodada da disputa, ele foi derrotado pelo atual campeão mundial de judô, o sul-coreano Gwak Dong-han. Mesmo assim, deixou a Arena Carioca sob aplausos. Sua colega de equipe, Yolande Mabika, disputou a categoria 70 kg feminino e foi derrotada na primeira luta pela israelense Linda Bolder. Ela também foi acolhida calorosamente pelo público.
Yolande também deixou a Arena agradecendo o carinho do público. “Senti como se estivesse em casa. Fiquei muito feliz, pois vejo que muita gente gosta de mim. Estou representando muitas nações. Estamos juntos”, declarou a judoca.
Yolande e Popole integram a inédita Equipe Olímpica de Refugiados, composta por dez atletas que disputam diferentes modalidades: natação, judô, atletismo e maratona. Os atletas são refugiados da Etiópia, República Democrática do Congo, Síria e Sudão do Sul, e vivem em diferentes países: Alemanha, Bélgica, Brasil, Luxemburgo e Quênia. A iniciativa tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Técnico dos dois judocas, o brasileiro Geraldo Bernardes ressaltou a garra dos refugiados congoleses. “Enquanto outros atletas se preparam por quatro anos, eles se prepararam em quatro meses. Foi muito trabalho em pouco tempo. Mas a alegria e comprometimento deles nos trouxe a este momento”, afirmou Geraldo. Para ele, os dois atletas são vencedores e saíram da Arena Carioca “com uma medalha no peito”.
Yolande e Popole já fazem planos para o futuro e estão certos de que seguirão praticando o judô.
“Vou continuar lutar. Estou forte, estou nova. E a luta não é só judô. Estou lutando por minha vida”, afirmou Yolande.
“Quero apoios e patrocínios para participar de outras competições. Quero continuar minha profissão de judô, e vou atrás deste campeão do mundo para ganhar dele”, promete Popole.
A Equipe Olímpica de Atletas Refugiados também participou na quarta (10) da Rio 2016 nas piscinas do Parque Aquático. A refugiada síria Yusra Mardini, que disputou os 100 metros borboleta, não conseguiu se classificar para as fases finais da competição. “Vou continuar a nadir e a apoiar os refugiados”, afirmou Yusra, que vive na Alemanha. “Certamente, o mundo terá uma visão diferente dos refugiados (após a Rio 2016). Esta equipe é incrível”, disse Yusra.
Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
Colabore com a redação