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Juntas há quase quatro anos, dueto Lara e Nayara buscam resultado inédito no Pan

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Juntas há quase quatro anos, dueto Lara e Nayara buscam resultado inédito no Pan

“Acho que vou fazer algumas luzes no cabelo”, disse Lara Teixeira na borda da piscina em uma pausa do treinamento. “Talvez eu clareie as pontas do cabelo, acho que chama californianas”, emendou Nayara Figueira. O dueto titular que defenderá a seleção brasileira de nado sincronizado nos Jogos Pan- Americanos de Guadalajara, em outubro, discutia sobre o que fariam no salão de beleza no dia seguinte, em um momento raro no qual “escapariam” da rotina para ir ao cabeleireiro.

As duas jovens são vaidosas, mas confessam que esse tipo de mordomia fica em segundo plano. “A gente brinca que tem um dia de princesa de vez em quando, mas essa é uma das coisas que a gente tem que abrir mão por causa do alto nível do esporte”, contou a carioca Lara, ao lado de Nayara e da técnica Andrea Curi.

Juntas há quase quatro anos, a dupla treina em dois períodos, manhã e tarde, de segunda a sábado. “Em média, treinamos de quatro a cinco horas na piscina, onde ensaiamos a coreografia e fazemos uma parte física. Também há mais uma hora de treino aeróbico e mais uma hora de preparação física fora da água, alem de sessões semanais com psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e médico”, explicou a paulistana Nayara.

erá o primeiro Pan no qual as duas vão competir como dueto. Treinadas por Andrea no Clube Paineiras do Morumby, apresentarão duas coreografias: a livre, com três minutos e meio, e a técnica, com dois minutos e meio. Em 2007, no Rio de Janeiro, ambas conquistaram o bronze por equipe, e Lara também garantiu o terceiro lugar no dueto ao lado de Caroline Hildenbrandt.

Após a competição, porém, Caroline decidiu abandonar a carreira, e Nayara, depois de uma seletiva interna da seleção, tornou-se a nova integrante do dueto, que esteve em Pequim 2008, terminando o evento na 13ª colocação entre 24 países.

Em outubro, no México, a dupla brigará por uma prata inédita, já que o Canadá é o grande favorito a ficar com a medalha de ouro, tanto no dueto, quanto na equipe. Lara explicou que o país da América do Norte está com um projeto forte há algum tempo e deverá ser difícil tirá-lo do lugar mais alto do pódio. “A gente sempre treina por ouro, mas temos os pés no chão, e a realidade é mais a disputa pelo segundo lugar, com os Estados Unidos”.

Nayara ainda destacou o país sede: “As mexicanas começaram a fazer investimentos, desde o ano passado, visando o Pan. Porém, focaram muito mais na equipe e, por isso, chegam mais forte no grupo”.

Amigas, não irmãs - Lara, no esporte desde os oito anos, e Nayara, desde os sete, se conheceram aos 13 anos, quando ingressaram na seleção brasileira juvenil. Ao contrário do que muitos podem pensar, elas não são irmãs. Por muito tempo, o Brasil contou, no dueto, com as gêmeas Carolina e Isabela de Moraes - com duas finais olímpicas (2000 e 2004) e dois bronzes em Jogos Pan-Americanos (1999 e 2003). Além disso, as gêmeas Bia e Branca Feres – que eram titulares da seleção apenas na equipe, e não como dupla – também representaram o país até pedirem dispensa, no início do ano, para focarem mais na cerreira de apresentadoras de TV e modelo.

Este ano, porém, o Brasil não terá irmãs gêmeas nas piscinas, mas estará muito bem representado por uma dupla extremamente entrosada. Até na hora de se machucar elas estão juntas. “No começo do ano, estávamos treinando com a equipe e, no meio de oito atletas, consegui bater meu pé na canela da Lara e quebrei o dedo”, contou Nayara. “Toda vez que ela se machuca é porque nos esbarramos sem querer”, completou Lara.

Vai e volta – Como o dueto também integra a equipe titular, que treina no Rio de Janeiro, a vida de Lara e Nayara tem sido uma verdadeira ponte aérea Rio-São Paulo. Desde 2009, a dupla viaja semanalmente e fica sete dias na cidade paulista, e outros sete na cidade carioca. “No Rio, treinamos dois períodos, de quarta a sábado, e nesse tempo somos 100% equipe, focadas para acompanhar as meninas e dar todo o suporte”, relatou Lara.

Apesar do sacrifício, as nadadoras não pensam em deixar o esporte tão cedo. Sobre seguir uma possível carreira artística, como fizeram as gêmeas Bia e Branca - que não chegaram a competir como dueto principal na seleção adulta -, a dupla declara: “Realmente, no nosso esporte, tem esse lado teatral e artístico, mas acho que estamos ligadas mais a parte técnica do esporte. Acho que vamos seguir carreira, mas nas áreas técnicas e não artísticas”, ponderou Lara.

Fonte: www.espn.estadao.com.br

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