Leilão de Campo Libra vai acontecer, mesmo que só haja um participante, diz Lobão

O leilão da área gigante de Libra tem previsão de durar cerca de meia hora nessa segunda-feira (21). Minutos preciosos para o governo, que planeja arrecadar quase o dobro de tudo que já foi pago em rodadas de licitações realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) até hoje. Desde a primeira rodada de licitações em 1999, os cofres da União arrecadaram R$ 8,9 bilhões. Já o bônus de assinatura de Libra, no pré-sal de Santos, começa em R$ 15 bilhões.
Embora seja o maior da história do País, o leilão não conseguiu atrair gigantes privadas como ExxonMobil, British Petroleum, Chevron e Eni. Entre as questões que afugentaram grandes empresas petrolíferas como Exxon, Chevron, BP e BG está a falta de autonomia na gestão operacional do negócio. Pelo modelo de partilha adotado em 2010, a Petrobrás será obrigatoriamente a operadora dos campos, com uma participação mínima de 30%.
Independentemente do número de interessados, o leilão do Campo de Libra será realizado. Foi o que disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão neste sábado (19). Até o momento, o governo contabiliza 23 ações judiciais contrárias, das quais sete foram derrubadas pela Advocacia-Geral da União (AGU). As demais estão sendo analisadas.
Segundo Lobão, nove grupos já depositaram a garantia para participar do leilão:
“Como [o valor depositado] não é pequeno, supõem-se que eles estejam interessados. O importante é que haja participantes, seja um ou mais.”
Este será o primeiro leilão a ser feito no modelo de partilha, que terá a Petrobras como única operadora e com a participação mínima de 30% do consórcio vencedor.
“Só em Libra, algo em torno de R$ 270 bilhões serão destinados às áreas de saúde e educação. Ao longo da exploração, que deve durar 35 anos, R$ 370 bilhões virão com a apropriação do petróleo [pela União]”, acrescentou.
Em 2013, o Brasil deverá produzir 2,1 bilhões de barris de petróleo por dia, segundo estimativa apresentada pelo ministro. A expectativa é que no período de pico de produção do Campo de Libra (cerca de 15 anos após o início das operações) a produção diária seja 1,4 bilhão de barris por dia.
Quem vencer o megaleilão de Libra terá nas mãos um nível de detalhamento da área arrematada nunca antes oferecido pelo governo em licitações de áreas de petróleo. A certeza da existência de grande quantidade de óleo no local é o principal atrativo do leilão, que permitiu a cobrança de bônus bilionário.
Mas existem alguns problemas. Investidores temem que alguns obstáculos possam frear o ritmo de entrada em produção. O limite de investimentos da Petrobrás, é apenas um deles.
Os desafios tecnológicos para extrair o óleo em região tão inóspita são os principais temores. Além disso, as exigências de conteúdo local praticamente eliminam as perspectivas mais otimistas de que a produção em Libra fosse iniciada em quatro ou cinco anos.
E ainda há a greve dos petroleiros que completou no sábado (19) o terceiro dia com 42 plataformas paralisadas na Bacia de Campos, no norte fluminense, de acordo com balanço da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 16,53%. A Petrobras ofereceu até agora um aumento de 6,09% (IPCA) no salário-base, além de 7,68% na Remuneração Mínima por Nível e Regime e um abono equivalente a uma remuneração ou R$ 4 mil, o que for maior.
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