Médicos Sem Fronteiras fecham hospital atingido por bombas no Afeganistão

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou neste domingo (4) o encerramento das atividades em Kunduz, no Afeganistão, depois do alegado bombardeio de seu hospital na cidade pela aviação norte-americanal, e exigiu uma investigação independente do caso.
Segundo a organização, 22 pessoas morreram, algumas das quais queimadas nas camas, devido ao bombardeio, que durou mais de uma hora, mesmo depois de Estados Unidos e as autoridades afegãs terem sido informados de que o hospital havia sido atingido, informou a agência de notícias France-Presse (AFP).
O hospital da ONG era a única instalação médica em toda o Nordeste do Afeganistão, com capacidade para lidar com grandes ferimentos de guerra e seu fechamento, ainda que temporário, poderá ter um impacto devastador sobre os civis da região.
Os profissionais da organização condenaram os “odiosos” atentados, que teriam sido uma resposta da força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão. "Presumindo que foi cometido um crime de guerra, os Médicos Sem Fronteira pedem que uma investigação completa e transparente sobre o sucedido, a ser efetuada por um organismo internacional independente", disse o diretor-geral da ONG, Christopher Stokes.
A cidade de Kunduz continua palco de combates entre os talibãs e as tropas afegãs, que contam com o apoio aéreo americano. A tomada de Kunduz, na segunda-feira passada, foi a conquista militar mais importante dos talibãs desde que o grupo insurgente foi afastado do poder em 2001, após a ofensiva liderada pelos EUA.
Na quinta-feira, o Exército afegão recuperou o controle da cidade no norte do país, mas combates entre as forças governamentais e os insurgentes radicais continuaram nos últimos dias. Com a ajuda da Otan, as tropas do governo afegão tentam agora reconquistar o controle total de Kunduz.
No Afeganistão, a Aliança Atlântica conta com 4 mil militares em missões de assistência e treinamento. A Otan também participa da campanha de apoio às tropas afegãs.
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