Ministro pede demissão após entrada de senador boliviano no Brasil, em busca de asilo

A presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota (foto), depois de uma crise gerada “por falta de comando na pasta”. Tudo começou com a entrada do senador boliviano no Brasil, Roger Molina, sem autorização do governo brasileiro.
Molina viajou em carro oficial da Embaixada, com escolta de fuzileiros navais e sob ordens do diplomata brasileiro, Eduardo Saboia.
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Ao chegar, Saboia disse que “não precisava de autorização do governo brasileiro para tomar decisões, caso a integridade física de pessoas estivesse em risco”. O senador boliviano estava na Embaixada brasileira em fuga, havia 15 meses.
O Itamaraty abriu sindicância interna para apurar o episódio. Saboia foi afastado de suas funções e ameaçou abrir sua caixa de emails para mostrar correspondência sigilosa em sua defesa.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Saboia disse que em uma das mensagens recebidas o conteúdo anunciava uma farsa diplomática: "Eles (os bolivianos) fazem de conta que negociam (o indulto) e a gente faz de conta que acredita".
Saboia chorou durante a entrevista e disse que "ouviu a voz de Deus" para transportar Molina em carro oficial de La Paz até Corumbá, Mato Grosso do Sul.
O representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixador Luiz Alberto Figueiredo irá assumir o cargo deixado por Patriota. O ex-ministro representará o Brasil na Organização das Nações Unidas.
Em nota à imprensa, a presidente Dilma Rousseff anunciou a indicação de Patriota para a Missão do Brasil na ONU e agradeceu a atuação do ex-ministro "nos mais de dois anos que permaneceu no cargo". Na segunda-feira (26), a presidente se reuniu com Antonio Patriota, no Palácio do Planalto, por cerca de 50 minutos.
A previsão é que Figueiredo assuma o cargo até a próxima sexta-feira (30) e acompanhe a presidente Dilma neste fim de semana para Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Paramaribo, capital do Suriname, que irá marcar a volta do Paraguai à Unasul.
Uma das lideranças de oposição ao governo de Evo Morales, Molina pediu asilo político ao Brasil, alegando perseguição política. Ele aguardava o salvo-conduto de Morales para deixar o país, mas não conseguiu porque respondia a processos judiciais na Bolívia.
A vinda para o Brasil seguiu um roteiro cinematográfico, viajando em carro oficial da Embaixada e com escolta de fuzileiros navais até Corumbá, Mato Grosso do Sul. O trecho até Brasília foi feito em avião particular, pago pelo senador Pedro F.erraço (PMDB-ES)
Ao chegar, Molina disse que “estava feliz e que esperava a concessão do asilo político”. O incidente gerou uma pequena crise entre os governos brasileiro e boliviano. O Brasil não pode conceder visto de entrada ou asilo político a quem responde por crime ou que tenha sido condenado no país de origem. Molina teria sido condenado e, segundo ministro de Evo Morales, “não deve receber asilo”.
Molina está em Brasília na casa de seu advogado. O governo boliviano cobra explicações e argumenta que o senador Molina deixou o país como um "criminoso comum", pois tem ordem de prisão decretada e uma sentença condenatória de um ano por causar prejuízos econômicos ao Estado boliviano.
Com AgBr
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