Morosidade nas obras prejudicam as aulas em escolas de São Luís

Cinco meses após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que pôs fim à greve dos professores em 2014, o Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal de Ensino (Sindeducação) denuncia o atraso nas obras de reforma das escolas, uma das principais reivindicações da categoria durante a paralisação.
De acordo com o TAC 003/2014, das 54 escolas relacionadas pela Secretaria Municipal de Ensino (Semed) para manutenções preventivas e corretivas, 29 estavam com as manutenções previstas para iniciarem entre outubro e dezembro.
Dseis escolas já fiscalizadas neste mês pelo sindicato, nenhuma apresentou melhorias na infraestrutura. Na U.E.B. José Gonçalves Amaral Raposo, fiscalizada na última segunda-feira (9), alguns reparos até foram iniciados, mas estão longe de serem concluídos.
Funcionários informam que os pequenos serviços de reparos feitos no telhado e também a colocação de novo forro foram pouco efetivos, pois são de má qualidade. Ao entrar nas salas, verificam-se de imediato vários problemas como rachaduras nas paredes, fiações expostas e ventiladores quebrados.
Natália Caroline dos Santos, professora da escola, há quase três anos, reclama que os serviços de manutenção ainda prejudicam o cumprimento dos dias letivos, pois a empresa que presta o serviço na unidade já ultrapassou o prazo de conclusão do mesmo. Natália conta ainda que os professores têm se desdobrado para criar um cronograma nas salas por conta do serviço de pintura que está sendo realizado com atraso.
“Desde que comecei a trabalhar nessa escola, sempre verifico problemas na infraestrutura e no oferecimento de condições mínimas para que os alunos estejam em um ambiente favorável para o aprendizado. As carteiras, os ventiladores, o telhado, todos estão comprometidos. Tem muito tempo que a infraestrutura da escola não ganha uma reforma significativa, apesar do grave acidente que tivemos ano passado quando houve desabamento do forro da sala de recursos e da secretaria”, disse a professora.
Outros problemas também estão na lista de irregularidades: a pouca quantidade de mesas e cadeiras no refeitório, encanamento, água suja nos bebedouros, esgotos expostos, falta de lâmpadas e falta de proteção na quadra de esportes por conta de buracos no teto. “Ano passado um aluno se acidentou pela falta de proteção da quadra e muitos acidentes ainda podem acontecer se nada for feito”, completou a professora.
Já na U.E.B Uruati, segunda escola visitada também localizada na Zona Rural de São Luís, a reforma que deveria ter sido iniciada em novembro de 2014 sequer começou. São banheiros com chuveiros interditados, pias inexistentes, bebedouro com vazamento, lâmpadas queimadas, forro arrebentado, armários velhos, portas quebradas, janelas remendadas e etc.
Além disso, a falta de segurança é motivo de temor entre alunos e professores. Os muros estão com lacunas que contribuem para a entrada de terceiros. Por conta disso, a escola já sofreu várias invasões, com a mais recente há três meses, quando bandidos entraram nas dependências do colégio e trancaram funcionários e alunos em uma sala de aula.
A presidente do Sindeducação, profª Elisabeth Castelo Branco, está acompanhando o andamento das obras. Segundo ela, a constatação da morosidade administrativa é preocupante.
“Apesar das insistentes cobranças que temos feito, o descaso permanece. As aulas estão paradas e, da mesma forma, o andamento das obras. Gostaríamos de visitar junto ao secretário de educação, as escolas dos sonhos pintadas na mídia”, disse a professora.
Viu um congestionamento, um buraco na via ou tem uma dica? A redação apura.
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