Obama: nenhuma bota americana pisará na Síria; ação será restrita a alvos militares

O presidente norte-americano Barack Obama disse nesta sexta-feira que ainda não tinha tomado decisão sobre o provável ataque à Síria, por uso de armas químicas do regime de Bashar al-Saad contra mulheres, crianças e civis em geral. E para enfatizar que uma eventual ação será rápida, Obama acrescentou: “nenhuma bota americana pisará na Síria.”
“Ainda não decidimos, mas estamos conversando com políticos no Congresso e com nossos aliados no mundo todo. Nenhuma bota pisará na Síria. Uma ação seria restrita à capacidade síria de atacar seu próprio povo com armas de destruição em massa”, disse Obama.
Pesquisa de opinião pública feita pela rede NBC indica que 70% dos americanos desejam que a decisão de atacar a Síria passe pelo Congresso, em Washington. Cumprindo promessa de campanha, Obama retirou os marines do Iraaue e do Afeganistão.
O serviço de inteligência dos Estados Unidos vazou relatório sobre as informações necessárias ao convencimento da opinião pública. Segundo o relatório, disponível no site da rede CNN, 1426 pessoas foram mortas por ataques químicos, a maioria mulheres, criaças e adolescentes.
O documento fala ainda que mais de 100 mi pessoas foram mortas na guerra civil síria, que dura dois anos. Ao final do relatório, aparece um trecho atribuído à posição do Reino Unido diante do problema, focando nos motivos legais para um possível ataque.
O Reino Unido estaria disposto a realizar um ataque junto com os Estados Unidos mesmo que o Conselho de Segurança da ONU (com EUA, Reino Unido, China, Russia e França) derrube a intervenção em votação (Rússia e China dificilmente aprovariam um ataque à Síria a a aprovação precisaria ser unânime).
Na tentativa de divulgar mais informações sobre a matança na Síria, o secretário de Estado, John Kerry, leu mais uma nota em rede nacional, dizendo que sabe muitas coisas sobre os ataques químicos contra civis, efetuados pelo governo Bashar al-Assad.
Eis alguns trechos da nota lida por John Kerry, transmitido pela rede CNN. O SuaCidade traduziu a fala do norte-americano, logo abaixo do vídeo:
Kerry:
“Nós sabemos que os foguetes foram lançados de áreas controladas pelo regime de Bashar al-Assad. Sabemos que a Siria tem o maior programa de armas químicas do Oriente Médio.
Sabemos que o regime usou essas armas várias vezes este ano. Usou em escala menor mas usou contra o povo sírio.
Sabemos de onde os foguetes com cargas químicas foram lançados, a que horas e aonde eles explodiram. Os foguetes saíram apenas de áreas controladas pelo regime e foram apenas para áreas controladas ou em luta por controle da oposição.
O mundo todo viu de fonte diferentes dezenas de imagens onde pessoas tinham dificuldade de respirar, tossindo, tendo espasmos, vomitando...incoscientes ou mortas.
Sabemos que após uma década de conflito, o povo americano está cansado de guerra. Acreditem, eu também estou cansado . Mas o cansaço, a fadiga não nos absolve de nossa responsabilidade. Apenas o desejo da paz não será suficiente para conquistá-la.
Historicamente sabemos o que acontece quando fechamos os olhos para ditadores que produzem armas de destruição em massa.
Também sabemos que temos um presidente que faz o que ele diz que vai fazer. E ele tem dito que se decidirmos agir, nada será parecido ao que aconteceu no Afeganistão, no Iraque ou mesmo a Líbia.
Estamos abertos a uma solução diplomática porque uma ação militar não negociável. A negociação tem que ser política. Estamos profundamente empenhados em chegar a essa negociação.
Isso é o que sabemos. Isso é o que o Congressso sabe e o que a povo americano precisa saber. A decisão precisará ser tomada tendo em vista a segurança de nosso país e temos uma promessa a cumprir, no sentido de não permitirmos que armas químicas sejam usadas contra as pessoas mais frágeis".
Abaixo, uma galeria de fotos com vítimas dos ataques químicos e da guerra civil na Síria. Há também imagens de documentos vazados pelo Pentágono sobre as informações coletadas pela CIA. O relatório fala também da posição da Inglaterra, que estava disposta a atacar sozinha, caso a ONU não aprove a resolução pelo Conselho de Segurança. O Parlamento inglês vetou participação do país na investida contra o regime de Bashar al-Assad.
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