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Obama vai analisar a proposta diplomática russa sobre a Síria; Portugal quer mais ação da Onu

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Obama vai analisar a proposta diplomática russa sobre a Síria; Portugal quer mais ação da Onu

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu analisar uma iniciativa diplomática oferecida pela Rússia para o impasse envolvendo as armas químicas da Síria, mas expressou ceticismo sobre o assunto e pediu aos norte-americanos que apoiem sua ameaça de usar a força militar naquele país.

Obama disse em um discurso na Casa Branca na noite dessa terça-feira (10) (horário de Brasília) que a proposta da Rússia para pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad, a colocar suas armas químicas sob controle internacional oferecia a possibilidade de impedir o tipo de ataque militar que ele está considerando contra a Síria.

Falando do Salão Leste da Casa Branca, Obama afirmou que as autoridades dos EUA e da Rússia irão continuar conversando sobre a iniciativa e que ele discutirá o assunto com o presidente russo, Vladimir Putin.

Enquanto isso, afirmou, ele pediu ao Senado para adiar a votação sobre a autorização para usar a força militar na Síria a fim de dar tempo à diplomacia. Obama não estabeleceu prazos para a ação, mas disse que qualquer acordo com Assad exigiria uma comprovação de que o presidente sírio manterá sua palavra.

A proposta da Rússia freou a votação no Congresso dos EUA para a autorização do uso da força na Síria, já que o governo e os parlamentares norte-americanos pediram mais tempo para analisar a oferta que colocaria o arsenal químico sírio sob controle internacional.

Obama tem enfrentado forte resistência no Congresso sobre esta questão e parlamentares de ambos os lados apontaram a proposta russa como uma possível saída, apesar do ceticismo sobre o seu eventual sucesso.

Obama usou grande parte de seu discurso para expor o caso contra a Síria, dizendo que havia muitas evidências mostrando que o governo sírio estava por trás do ataque com armas químicas de 21 de agosto que matou 1.429 pessoas, sendo mais de 400 crianças.

Ele argumentou que a Síria deve enfrentar as consequências por ter usado tais armas porque grande parte do mundo aderiu a uma convenção que proíbe o uso de armas químicas e que se o mundo civilizado não reagir, isso só vai encorajar os adversários dos EUA.

"Se não agirmos, o regime de Assad não verá razão alguma para parar de usar armas químicas", disse Obama.

Um grupo de senadores republicanos e democratas começou a redigir uma versão alterada da autorização do uso da força que daria um prazo para que a Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o controle das armas químicas.

Portugal quer urgência nas ações da Onu

Uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal responsabilizou o Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo agravamento da situação na Síria.

“A falta de ação do Conselho de Segurança nos últimos dois anos levou à intensificação de um conflito que causou tragédia humanitária das maiores proporções, contribuiu de forma decisiva para a radicalização política na própria Síria e potencializou a instabilidade na região”, diz o comunicado.

Portugal defende que o conselho estabeleça, “com a maior urgência”, como fará o controle internacional das armas químicas da Síria, sugerido pela Rússia.

A nota foi divulgada antes do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ontem à noite, anunciando que o Congresso norte-americano vai adiar a decisão sobre eventual ação militar na Síria para aguardar encaminhamento da proposta russa.

O governo sírio já anunciou que aceita o controle de suas armas químicas como proposto pela Rússia. A solução diplomática para os confrontos também é acompanhada por Portugal.

“Importa continuar a criar condições que gerem consenso tão amplo quanto possível que permita, pela via da negociação e em um quadro multilateral, alcançar solução política que restabeleça de forma duradoura a paz na Síria”, diz a nota do governo português.

Portugal assinou a declaração proposta pelos Estados Unidos no último dia 6, de que é preciso “dar forte resposta internacional” ao suposto uso de armas químicas. De acordo com o site da Casa Branca, 33 países (a maioria europeus) apoiaram a posição norte-americana. Até o momento, nenhum país sul-americano manifestou apoio.

A União Europeia registra 2 milhões de pessoas refugiadas por causa do regime Assad.

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