OMS: nível de alarme com o vírus zika é extremamente alto

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, afirmou nesta quinta-feira (28) que o nível de alarme com o vírus zika é "extremamente alto". Em Genebra, na Suíça, Margaret Chan promoveu uma sessão especial sobre a situação.
Ela explicou que o zika foi isolado pela primeira vez em 1947, a partir de um macaco na floresta Zika, em Uganda. Durante décadas, a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti afetou somente os macacos. Entre 2007 e 2014, foram confirmados surtos e casos em humanos em ilhas do Pacífico.
Margaret Chan (dir) e Carissa Etienne (esq). Foto: OMS
Chan falou sobre a relação entre o zika e a má formação neonatal, já que mais de 3,5 mil bebês brasileiros nasceram com microcefalia. A diretora da OMS anunciou a criação de um Comitê Internacional de Emergência para avaliar a relação.
Possível Emergência
A primeira reunião do grupo acontece na próxima segunda-feira, dia 1, para definir se o surto de zika é uma emergência de saúde pública. A OMS fala em "forte suspeita" da ligação entre a infecção e a microcefalia.
Margaret Chan explicou que preocupa também a falta de imunidade da população e de vacinas, tratamento específico e de testes rápidos para o diagnóstico.
A sessão especial da OMS sobre o vírus zika contou com a participação, por telefone, do diretor de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde do Brasil, Claudio Maierovitch.
Prontidão
Claudio Maierovitch reafirmou que uma das prioridades do governo é buscar novas tecnologias, especialmente uma vacina contra o vírus, sendo que as pesquisas já estão em andamento.
A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, elogiou o Brasil por ter reportado com rapidez os primeiros casos de zika no país, em maio do ano passado.
Segundo Carissa Etienne, muitas perguntas sobre a infecção e a microcefalia continuam sem resposta. Junto com especialistas brasileiros e de outros países, a Opas trabalha para melhorar o entendimento epidemiológico.
A diretora da Opas afirmou "não ser possível tolerar que mais bebês nasçam com má formação neurológica".
Segundo estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da OMS, o continente americano deve ter entre 3 milhões e 4 milhões de casos de Zika em 2016. O cálculo é baseado no número de infectados por dengue, doença transmitida pelo mesmo vetor, em 2015. A organização considerou também a falta de imunidade da população para chegar a esse número.
A estimativa foi citada pelo diretor de Doenças Transmissíveis e Análise de Situação de Saúde da Opas, Marcos Espinal, em sessão da OMS sobre o vírus Zika. O continente americano registrou cerca de 2 milhões de casos de dengue no ano passado, sendo 1,5 milhão no Brasil.
Semana passada a organização alertou que o vírus Zika vai chegar a todos os países do continente americano, com exceção do Chile e do Canadá, onde não circula o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti.
Transmitido por um mosquito bem conhecido dos brasileiros, o vírus Zika começou a circular no Brasil em 2014, mas só teve os primeiros registros feitos pelo governo em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre de 2015, era que sua evolução era benigna e que os sintomas são parecidos, porém, mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, transmitidas pelo mesmo mosquito.
Porém, no dia 28 de novembro de 2015 o Ministério da Saúde divulgou que, quando gestantes são infectadas por este vírus, existe a possibilidade virem a gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro, que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos.
A relação causal foi feita, entre outros motivos, porque, com a chegada do vírus no país, foi percebido aumento inesperado de nascimentos de crianças com a malformação, principalmente em locais onde há surto do Zika. Enquanto em 2014 foram anotadas 147 notificações, entre outubro de 2015 e janeiro de 2016 foram registradas 270.
Para a diretora-geral da OMS, há uma suspeita muito forte da relação causal entre o vírus Zika e casos de malformação congênita e síndromes neurológicas, mas ela não foi cientificamente estabelecida.
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