Operadora de trem que descarrilou na Espanha quer concorrer pelo trem-bala no Brasil

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, disse hoje (9) ter recebido uma carta em que empresas espanholas confirmaram o interesse em participar do leilão do trem de alta velocidade (TAV), que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mas a notícia vem cercada de polêmica e certa desinformação: entre as candidatas espanholas está a Renfe, gestora da linha do trem que descarrilou na Espanha, em Santiago de Compostela, dia 24 de julho. O acidente provocou a morte de 79 pessoas. O maquinista (foto) falava ao celular com um supervisor da Renfe no momento do acidente. Ele sobreviveu e está preso.
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O edital proíbe a participação de empresas envolvidas em acidente com trens de alta velocidade (acima de 250 km/h) nos últimos 5 anos. Embora o trem de Compostela seja de alta velocidade, o acidente ocorreu abaixo do limite, que seria de 240 km/h.
“O governo não quer impedir ninguém de participar, quer o maior número de participação. O trem estava em alta velocidade, lamentavelmente, mas no caso não era de alta velocidade. Eu não sou a comissão que vai avaliar, mas como governo, não há [impedimento]”, disse o ministro dos Transportes Cesar Borges, no último dia 31.
Confira outras imagens do acidente:
Segundo Figueiredo, o consórcio espanhol tem ainda mais três empresas, além da Renfe: a Adif (administradora de infraestruturas), Ineco (engenharia e economia de transporte) e a Talgo.
Figueiredo confirmou que um consórcio alemão também manifestou o mesmo interesse, mas não há, até o momento, a confirmação de participação. A entrega das propostas para participar da licitação do trem-bala será no dia 16 de agosto, na sede da BM&F Bovespa.
De acordo com a EPL, o edital de licitação do TAV prevê que cada participante deverá apresentar, na entrega das propostas, uma declaração de que não registrou acidente com trem de alta velocidade nos últimos cinco anos.
Apesar de em seu site a Renfe ter publicado informações classificando o trem acidentado como "de alta velocidade", a empresa e a Embaixada da Espanha têm argumentado que, no local do acidente, o trem não estava operando em trecho de alta velocidade, e que a velocidade máxima atingida pelo trem chegaria a 240 quilômetros por hora (km/h).
Mais imagens da tragédia espanhola:
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) define como alta velocidade veículos com capacidade para velocidade superior a 250 km/h. A decisão final, sobre a participação ou não da Renfe na licitação, ficará a cargo da agência reguladora, após receber e analisar a declaração do consórcio espanhol sobre não envolvimento em acidente com vítima em sistema de alta velocidade.
Com AgBr
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