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Pelo menos 11 mil crianças já foram mortas no conflito na Síria; negociações de paz começam nesta sexta (24)

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Pelo menos 11 mil crianças já foram mortas no conflito na Síria; negociações de paz começam nesta sexta (24)

“É chegado o momento de se concentrar com urgência sobre a situação das crianças (na Síria)”, diz a carta aberta assinada por funcionários de alto escalão das Nações Unidas. Segundo eles, desde o início do conflito, 11 mil crianças foram mortas e 4 milhões foram forçadas a fugir de suas casas. O total de mortos pode passar a marca de 120 mil.

“Centenas de milhares de crianças estão presas em zonas de conflito e estão recebendo pouca ou nenhuma assistência humanitária”, escreveram, na quarta-feira (22), a coordenadora humanitária da ONU, Valerie Amos, o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake, o chefe da agência da ONU para os refugiados (ACNUR), Antonio Guterres, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, e o chefe do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Ertharin Cousin, além de 10 outros líderes e especialistas.

Segundo eles, os bombardeios em áreas residenciais, escolas e hospitais têm feito com que as crianças fiquem traumatizadas e em necessidade urgente de alimentos, abrigo e proteção. Por isso, eles pedem que os envolvidos na crise síria assinem um plano de proteção para que o acesso das crianças à ajuda humanitária seja facilitado, que os combates não atinjam escolas e hospitais e não se use explosivos em áreas povoadas.

No início deste mês, a ONU e seus parceiros humanitários pediram 1 bilhão de dólares para salvar as crianças sírias de se tornarem uma “geração perdida”, condenada pela guerra civil para uma vida de desespero, poucas oportunidades e futuros desmantelados.

As agências das Nações Unidas e seus parceiros querem canalizar esse dinheiro para programas que, em parceria com governos e comunidades locais, ofereçam educação, proteção contra exploração, abuso e violência, apoio psicológico e mais oportunidades para coesão social e estabilidade da região.

Representantes da oposição e do governo da Síria devem se reunir nesta sexta-feira (24), em Genebra, para negociar uma resolução para o conflito no país, que já matou mais de 100 mil pessoas.

O governo sírio tem como interlocutor, o ministro das Relações Exteriores Walid Al-Mouallen. Já a Coalizão Nacional da Síria, o grupo de oposição, tem como negociador, Ahmad Jarba.

Os dois lados se reuniram, pela primeira vez, na quarta-feira (22) na cidade de Montreux na Conferência Genebra 2. Participaram do encontro cerca de 40 países incluindo o Brasil, a única nação de língua portuguesa a ser convidada para o evento. 

O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Lakhdar Brahimi, manteve encontros separados, na quinta-feira (23), com o chanceler al-Mouallen e o líder da oposição. Brahimi deverá se reunir com os dois nesta sexta-feira para tentar definir um acordo de paz.

A crise no país começou em março de 2011, quando forças de oposição tentaram derrubar o presidente Bashar al-Assad. Por causa da guerra na Síria cerca de 9,5 milhões tiveram que fugir de suas casas. Deste total, 3 milhões estão vivendo nos países vizinhos como Jordânia e Líbano.

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