Petrobras completa 60 anos e finca bandeira brasileira em poço do pré-sal; confira

Se a Petrobras tivesse que cortar um bolo em seu aniversário de 60 anos, celebrado nesta sexta-feira, o nome do recheio poderia ter um nome que marcou sua história: desafio. A maior empresa brasileira trabalha em várias frentes para lidar com o petróleo do pré-sal, pesquisando como vai retirar o óleo/gás de uma profundidade nunca explorada antes. Mais que isso: a exploração exige que os engenheiros reutilizem do dióxido de carbono corrosivo do fundo do mar e reinjetem o produto no poço para aumentar a pressão na subida do petróleo.
Para Segen Farid Estefen, diretor de inovação do laboratório de pesquisas da empresa, “a caminhada da Petrobras envolve melhorias até na perfuração de poços”.
O laboratório de ponta funciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o nome de Intituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe).
Saiba mais sobre a aventura científica no fundo do mar e veja o vídeo divulgado pela Petrobras:
O pré-sal é uma nova fronteira, assegurou Farid, porque envolve grandes profundidades, isto é, abaixo de 2 mil metros, grande afastamento da costa, da ordem de 300 quilômetros, além de o caminho para se atingir o reservatório apresentar uma camada de sal significativa que pode chegar a 2 quilômetros de extensão. Todo esse conjunto faz com que a exploração de petróleo e gás no pré-sal seja algo emblemático.
“Esta caminhada envolve não só a melhoria de alguns processos, como perfuração, escoamento do óleo e, principalmente, do gás do pré-sal para a terra, como também, a estrutura das plataformas”, ressaltou o diretor da Coppe.
Segen Farid destacou que vários estaleiros estão desenvolvendo atividades de construção naval e offshore (alto-mar) para atender aos requisitos do pré-sal.
O trabalho intenso de pesquisas envolve o desenvolvimento de sondas de perfuração, desenhadas exclusivamente para trabalhar no ambiente inóspito do pré-sal, a mais de 4 mil metros de profundidade.
O cronograma prevê mais 3 anos até essa parafernália tecnológica começar a mostrar resultado efetivo, explicou o diretor.
Segundo Farid, “só a partir de 2019 ou 2020 o país terá um substancial aumento na produção de petróleo. Eu diria que a Petrobras tem, no seu DNA, o desafio da tecnologia”.
Dióxido de carbono precisa ser controlado
Entre todas as inovações tecnológicas que poderão levar a Petrobras a dominar a tecnologia do pré-sal, como já domina a de águas profundas, O diretor destacou o tratamento do gás carbônico, projeto coordenado pela Coppe em parceria com a estatal, que qualificou de “emblemático e primordial”.
No pré-sal, muitos reservatórios têm dióxido de carbono juntamente com óleo e gás. Esse é um gás danoso ao meio ambiente na medida em que contribui para o aumento da temperatura na Terra.
Farid disse que a separação desse gás e sua eventual reinjeção no reservatório evitaria o efeito prejudicial do gás carbônico, incluindo problemas corrosivos para as tubulações que o transportam. Reinjetado, ele pode aumentar a pressão do reservatório e melhorar o desempenho na produção de petróleo.
Leilão e greve dos petroleiros
O primeiro leilão do campo de Libra, na Bacia de Santos, ocorrerá no próximo dia 21. Será a primeira vez que a exploração da Petrobras assumirá o formato de partilha entre os interessados na exploração do pré-sal.
Petroleiros de todo o país iniciaram nesta sexta-feira, uma paralisação de 24 horas que atinge funcionários nas plataformas, refinarias, nos terminais e escritórios da estatal e subsidiárias. Os petroleiros reivindicam a suspensão imediata do leilão do campo de Libra no pré-sal, previsto para o próximo dia 21. Além disso, são contrários à terceirização de mão de obra e exigem reajuste no salário-base que, segundo eles, não ocorre há 17 anos.
Com AgBr
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